O 7 DE SETEMBRO DE MÁSCARAS E POR UM MUNDO SEM CATRACAS



Vamos relembrar. As manifestações de junho tiveram como pavio para explodirem nas ruas em reivindicações de toda ordem, violência e depredações do patrimônio público e privado, além do enfrentamento com as polícias, o Movimento Passe Livre (MPL), que defende a adoção da tarifa zero para o transporte coletivo de concessão pública. Seu bordão principal: “Por um mundo sem catracas!” Como se observa, uma pauta e pleito nitidamente de esquerda e, evidentemente, não reivindicada pelos direitistas mascarados que oportunistamente tomaram as ruas, de forma anárquica ao tempo que fascista.


Muitas dessas pessoas não sabiam por que estavam a protestar, pois não tinham pautas e muito menos conhecimento das questões brasileiras. Os mascarados dos diferentes grupos de Anonymous e Black Blocs se autodenominaram “apartidários” e “apolíticos”, palavras estas muito usadas pelos seguidores de Adolf Hitler e Benito Mussolini — e deu no que deu. Alemães e italianos saíram às ruas para apoiá-los e depois viram suas cidades serem bombardeadas e ocupadas por forças estrangeiras. Aqui no Brasil, diversos grupos e partidos de direita, além dos coxinhas reacionários de classe média, realizaram a Marcha da Família com Deus e pela Liberdade. E deu no que deu: 21 anos de ditadura militar. A verdade é que o MPL foi fundado no Fórum Social Mundial em 2005, em Porto Alegre.


O fórum, como todo mundo sabe, reúne ativistas, militantes, partidos e entidades do campo da esquerda, que discutem e debatem soluções para que o Brasil e as outras nações se transformem em sociedades mais justas e democráticas, a ter sempre como meta a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Os protestos contra o preço alto e o aumento das tarifas começaram em 2013, na capital gaúcha. Logo depois o movimento se espalhou pelas principais capitais do País, sendo que em São Paulo o MPL foi reprimido pela PM paulista controlada pelos políticos do PSDB há 20 anos. A corporação é reconhecida mundialmente como uma força pública repressora e que trabalha como se fosse segurança da elite econômica do estado bandeirante, uma das mais conservadoras e perversas do mundo.



Hoje é véspera do dia 7, mas há cerca de dois meses os Anonymous e os Black Blocs anunciam, por intermédio da internet, “o maior protesto da história do Brasil”, como se este País estivesse a começar agora a sua história, bem como não tivesse ocorrido, no decorrer desses cinco séculos, guerrilhas, movimentos, protestos e manifestações, a exemplo das Diretas Já, do Comício da Central e de outras centenas de marchas e quebra-paus, que sacudiram a sociedade brasileira. É muita presunção. Os Anonymous e os Black Blocs aproveitaram uma pauta de esquerda e foram às ruas e passaram a quebrar o que viam pela frente. Comportam-se como centuriões romanos da classe média coxinha e dos setores mais conservadores da sociedade brasileira, que, inconformados com a ascensão social e financeira de milhões de pessoas das classes desprivilegiadas, acreditam, equivocadamente, que tais mudanças vão prejudicá-las em seus interesses de classes e categorias tradicionais, que sempre tiveram acesso às sobras do establishment.





É ridícula a visão desprovida de senso crítico das classes médias tradicionais e de grupos mascarados que não percebem que o Brasil mudou e para melhor em todos os sentidos, segmentos, áreas da economia e da sociedade civil. Quando mascarados vão às ruas, de forma não representativa e ilegal, pois esconder o rosto é a mesma coisa que não assumir as consequências e desrespeitar os limites e as leis de um País plural, que se alicerça no estado democrático de direito. Mascarados que não representam a si mesmos e não são representados por ninguém, conforme suas opiniões e decisões, mas que meteram medo nos coxinhas que rapidinho abandonaram as ruas e foram tratar de suas vidinhas burguesas, confortáveis, fazer festinhas, happy hour, viagens, poupanças e realizar estudos, trabalho e afazeres domésticos. Enquanto isso, os mascarados, três meses após junho, continuam a fazer manifestações “apartidárias”, “apolíticas” e “pacíficas”, como gosta de afirmar a imprensa de negócios privados e que hoje morre de medo de ser alvo de violência e de contestações.



A imprensa burguesa que detesta ser questionada, contestada e principalmente receber retaliações dos Black Blocs, que expulsaram os repórteres da CBN e da Globo das ruas, jogaram literalmente merda na sede da Globo em São Paulo, e, juntamente com os partidos de esquerda, sindicatos e associações de trabalhadores, além de setores da academia, reivindicam a efetivação de um marco regulatório das mídias, bem como a quebra do monopólio e dos oligopólios controlados por meia dúzia de famílias bilionárias e que são useiras e vezeiras em promover golpes de estado, conflitos, discórdias e todo tipo de “disse me disse”, que inferniza a vida republicana brasileira. Os Anonymous são grupos de direita e de extrema direita liderados por militares e policiais aposentados, executivos, comerciantes, empresários, estudantes direitistas, além da Juventude do PSDB, do DEM e do PPS. São pessoas também ligadas à área rural, que historicamente remonta o que temos de mais conservador neste País, a exemplo da UDR, sem me esquecer de citar o Instituto Millenium, que é uma concentração de neocons, sendo que muitos deles chegam às raias do fascismo.



Os Black Blocs se consideram anarquistas; mas, apesar de terem jogado merda na Globo, quebrarem bancos e sedes de instituições públicas e lojas de automóveis caríssimos, que simbolicamente representam poder econômico e status, muito de seus comportamentos tem conotação e coloração fascista, à direita do que pregam, com ações violentas e protegidas pelos rostos cobertos por máscaras negras. Mascarados são um acinte à democracia, porque as máscaras permitem encobrir crimes, o que facilita, inclusive, a tentativa de golpes por parte daqueles que, em nome de um Brasil melhor, querem, na verdade, destituir quem está no poder eleito legitimamente, bem como, se possível, desmoralizar a autoridade e desconstruir as instituições republicanas e principalmente o que foi conquistado pelo povo brasileiro nos últimos 11 anos. Para se ter uma ideia da incongruência e desfaçatez desses movimentos “apartidários” e “apolíticos”, bem como “pacíficos” para a imprensa cínica e alienígena, em nenhum momento vi os inúmeros grupos Anonymous pedirem pela reforma agrária, defenderem os médicos cubanos e programas sociais da importância do Bolsa Família. Também não reivindicaram a quebra do monopólio nas comunicações ou exigiram para que o mensalão tucano e os escândalos de mais de R$ 600 milhões do PSDB denunciados pela Siemens e a sonegação de mais R$ 600 milhões da Rede Globo fossem duramente investigados e os seus autores punidos. Nem pensar.



Os Anonymous, os Black Blocs, em menor intensidade, e os coxinhas mequetrefes alienados e reacionários se preocuparam com a seguinte pauta: 1) Não à PEC 37; 2) Saída imediata de Renan Calheiros da Presidência do Congresso Nacional; 3) Investigação dos investimentos da Copa do Mundo; 4) Corrupção como crime hediondo; e 5) O fim do fórum privilegiado. Como se observa, as lideranças dos mascarados reivindicam questões constitucionais e jurídicas, que não passam pelo crivo do Poder Executivo, pois são temas ligados ao Legislativo e ao Judiciário. Não tem nada a ver com saúde, educação e segurança, porque o movimento de extrema direita é político e visa enfraquecer o governo trabalhista da presidenta Dilma Rousseff, bem como colocar a faca no pescoço do Congresso e do Judiciário. As reivindicações são políticas e constitucionais e essa gente do Anoymous distorce os fatos e deturpa a realidade. Afinal quem usa máscara só pode tergiversar e mentir. 



Amanhã vai ser o Dia 7 de Setembro, data da Independência do Brasil. Os mascarados dos Black Blocs e dos Anonymous vão às ruas. Os primeiros se consideram anarquistas e sem lideranças e partidos. Os segundos pregam também a mesma coisa. Os Anonymous são fascistas quando não nazistas e pensam em golpe de estado. Os Black Blocs se promovem, pois querem aparecer como força política, apesar de serem “apartidários”. Eles querem fazer parte do panorama político e social brasileiro de máscaras! Os Black Blocs se vestem de preto e se dizem anarquistas, mas na verdade são anarco-fascistas, pois são autoritários e querem ganhar a vez no grito e na violência pura e simples. Os anarquistas respeitam o indivíduo, o outro e prezam pela vida; e, sem sombra de dúvida, esses caras não respeitam ninguém. Viva o Brasil! É isso aí.


Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre


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