terça-feira, novembro 04, 2008

AH, CORAÇÃO!

Esse nosso coração é mesmo surpreendente!
Apronta cada uma em nossa existência...
Faz a gente gostar de quem não gosta da gente,
Bate acelerado por aquilo que não nos pertence.
Grande inimigo da razão
Está sempre em constante confusão.


Quando sente o amor chegar faz-nos sair do chão,
Mistura nossas emoções, nos deixa sem direção.
Maquiavélico, às vezes, pára e de repente
Acaba levando da gente
Pessoas especiais do nosso convívio, gente da gente...


E foi exatamente isso que o coração fez comigo.
Parou bruscamente e calou para sempre
D. Nete amigona do peito!
Ela, uma mulher admirável, guerreira, de fibra, corajosa.
Uma mãe cuidadosa, generosa,carinhosa.
Uma esposa presente, companheira e amiga.
Mas tudo isso passou e o bendito coração de D. Nete
Simplesmente parou.
Justamente numa das muitas viagens que fazia toda semana no rio Tapajós.
No barco da família, Madereiro.


O coração se encheu de sangue, trancou as vias da vida
Acelerou e explodiu em mais um famoso AVC
Acidente Vascular Cerebral,
A queima roupa, sem tempo pra chegar a Aveiro
Voltar a Santarém
Ou quem sabe utilizar a UTI.
E reativar aquele coração...
Mas não deu tempo
E desse jeito frio o coração levou D. Nete
Para a eternidade.

No barco, em meio ao majestoso rio Tapajós,
Fico aqui a imaginar o corre corre de todo mundo.
O desespero de seu Bebé, Nenê, seu Ronaldo
E tantos outros tripulantes do barco...
Sem condições e tempo para salvar aquela grande mulher.
E assim, em sua lida preferida foi embora minha amiga.

Aquela que sempre nos acolhia, eu e meu filho, em seu barco
Com todo carinho e satisfação.
E ao seu jeito cuidava de nós com a maior dedicação...
E agora? Como vai ser nossa ida para Aveiro?
Já não teremos mais
O sorriso e a saudação de D. Nete para nos receber...
Em Aveiro as lágrimas molharam a cidade,
E tudo por lá se encharcou de dor, tristeza e saudade.
Pela partida, sem despedida, de uma grande amiga.

D. Nete viajou e nos deixou.
Hoje meu coração está triste
As lágrimas molham a face,
O pranto me faz derramar tamanha tristeza.

Sabe D. Nete!
Onde estiver pode ter certeza
Que aqui na terra você foi um exemplo de Mulher.

Sem dúvidas o Tapajós vai sentir falta do seu cheiro,
Você vai fazer falta para seus tripulantes e passageiros,
Deixa uma lacuna no peito do seu esposo,
Deixa em desconsolo seus filhos e filhas...
Eu, Pedro, também, vamos sentir sua falta
Principalmente quando formos para Aveiro.

Quando vier o alvorecer já as margens de Aveiro
Quando a brisa leve tocar meu rosto
Vou sentir falta de você,
Falta de você caminhando em minha direção
A indagar :
“ _ E ai Socorro dormiu bem?”
Sempre com aquele sorriso a me cumprimentar...
Nas insistentes vezes que me chamava para o jantar,
Sempre preocupada com meu bem estar
E o bom cuidado com meu filho.

É D. Nete
O remanso do Tapajós vai sentir falta
De você no comando do Madeireiro
Assim como a brisa vai procurar a presença do seu rosto
Para acariciar...
No porto de Aveiro uma lacuna impreenchível já está aberta
Falta você ali com sua alegria e a prancheta da mão
Numa completa diversão a despachar as tantas mercadorias
Que de Santarém levava para seu Raimundo Dentista, Carlão e etc...
E entre risos e risos fazia tudo com muita atenção...
Ah, D. Nete! Será impossível esquecer você...
Quanta saudade já começa a se apossar de nosso peito...

Descanse D. Nete!
E que Deus lhe dê a Paz eterna como travesseiro.
Que Ele, também, lhe receba no céu com a mesma alegria
Com que
Você nos recebia a bordo do Madeireiro.
E esse é o nosso coração traiçoeiro
Faz-nos sofrer, chorar e até morrer...
Ah, coração porque és assim?
Traiçoeiro e tanto nos faz sofrer...
Um grande beijo amiga querida, onde você estiver.
Com carinho da sua amiga que tanto lhe admirava
Socorro Carvalho

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