sexta-feira, janeiro 07, 2011

PAIXÃO

Amo tua voz e tua cor
E teu jeito de fazer amor
Revirando os olhos e o tapete
Suspirando em falsete
Coisas que eu nem sei contar...

Ser feliz é tudo que se quer
Ah! Esse maldito fecheclair
De repente
A gente rasga a roupa
E uma febre muito louca
Faz o corpo arrepiar...

Depois do terceiro
Ou quarto copo
Tudo que vier eu topo
Tudo que vier, vem bem
Quando bebo perco o juízo
Não me responsabilizo
Nem por mim
Nem por ninguém...

Não quero ficar na tua vida
Como uma paixão mal resolvida
Dessas que a gente tem ciúme
E se encharca de perfume
Faz que tenta se matar...

Vou ficar até o fim do dia
Decorando tua geografia
E essa aventura
Em carne e osso
Deixa marcas no pescoço
Faz a gente levitar...

Tens um não sei que
De paraíso
E o corpo mais preciso
Que o mais lindo dos mortais
Tens uma beleza infinita
E a boca mais bonita
Que a minha já tocou...

Kleiton e Kledir
Composição: Kleiton & Kledir

SANTARÉM VIRA AS COSTAS PARA LAURIMAR

O artista plástico Laurimar Leal e seu auto retrato
Assisti ao documentário Laurimar e Outras Lendas, de Bob Barbosa, Chico Caprario e Miguel Angelo. Fiquei muito bem impressionado com a condução do papo com o Laurimar e com a sensação de quanto podemos ser egoístas e injustos com aqueles que se doam a certas causas.

Laurimar Leal é uma trajetória completamente singular e incompreendida. Parece ser um incômodo necessário àqueles que tem de se responsabilizar pela cultura do município e uma peça de decoração histórica, tal qual aquelas que ele conhece de cor e zela por sua preservação no Museu João Fona.

Grande conhecer da Mina, da Umbanda, criou belíssimas esculturas para vários orixás e as conhece uma a uma, apesar de suas severas limitações visuais. Com sua voz ainda forte e afinada, lembra de memória os cânticos para cada cerimônia, e foi aquele que abriu as portas para a celebração das religiões africanas na cidade.

Cidade que se sempre reage de forma conservadora e refratária ao falar desses temas, como se seguir outras religiões não fosse assegurado a todo cidadão como um direito. Mas Laurimar é mais que isso. Seu conhecimento e capacidade de sair de um tema para outro surpreende e encanta.

Frágil fisicamente, tem na cultura e na inteligência sua arma de resistência. Certamente muitos santarenos não sabem que várias esculturas das Praça São Sebastião ou o da Praça da Liberdade são de sua autoria. E com certeza não sabem que o Laurimar somente pedia o material para as autoridades locais e não era remunerado para realizar seus trabalhos que hoje marcam a cidade.

A história não é só para ser escrita depois que perdemos nossos símbolos, nossas referências. Santarém tem em Laurimar Leal uma entidade — para brincar com sua religiosidade — que precisa ser reconhecida agora, em vida e não depois, fazendo de sua trajetória um memorial para ser pouco visitado.

É preciso encarar a realidade de abandono que vive Laurimar. Os documentaristas que na verdade vinham fazer um trabalho sobre a Dona Dica Frazão, inviabilizado por questões de saúde dela, encontraram em Laurimar um personagem vivo, sobre os quais a gente só conhece a história quando mortos. E eles deram essa contribuição. Mostram a quem quiser que Laurimar está largado, abandonado numa casa sem condições mínimas de habitação, ainda mais para uma pessoa na sua idade e com suas dificuldades.

Não adianta dizer que ele tem um emprego no museu e que assim a cidade – prefiro dizer cidade para incluir as pessoas, a sociedade e não só responsabilizar a prefeitura – mostra o quanto gosta dele. É preciso mais, é preciso ser generoso com quem tanto de sua vida dedicou à arte e à cidade, à formação de outros artistas, como o Apolinário e tantos que aprenderam com ele.

É preciso participar com solidariedade do enfrentamento dessa situação. O que seria para algumas famílias que hoje contam com recursos para investir em obras de duvidoso valor artístico, apoiar a reforma e adaptação da casa do Laurimar?

Arquitetos e grandes empresas de materiais de construção prósperas nós temos, agora temos é que assumir uma visão renovada de responsabilidade social. E mais que dizer que a alguém é culpado, que o sistema previdenciário é ruim ou alguma outra desculpa, é preciso assumir o problema.

Santarenos que todos os dias tem o gosto de ver a arte de Laurimar Leal nas ruas, nas repartições públicas e em algumas casas podem, se quiserem, fazer as pazes com a cultura e dar condições de vida mais dignas para nossa principal referência no campo das artes plásticas.

Texto: Paulo Lima -  professor universitário, e santareno “naturalizado”.
Foto: Emir Bemerguy
Material emprestado do Blog do grande  Jeso Carneiro

Postagens em destaque

DANIELLE LIMA!! PARA VOCÊ, UMA CARTA DO MEU CORAÇÃO... FELIZ ANIVERSÁRIO!!!

Querida filha, Danielle Katrine Hoje, pensei em te fazer um poema!! Rimar versos para te falar do meu amor... Mas como poetizar,...