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Mostrando postagens de Outubro 23, 2013

DAR É UM VERBO BONITO

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Eu teria uns seis anos de idade quando tive contato, pela primeira vez, com o significado misterioso do verbo “dar”. A casa cheia, escuto uma discussão em voz alta na sala e me aproximo. Uma das moças afirma, em tom de desafio: “Dou para ele, sim, e você não tem nada a ver com isso”! A mãe grita escandalizada, o pai manda que a filha cale a boca. No breve silêncio que se segue, eu pergunto a todos e a ninguém: “O que ela deu que está todo mundo bravo?” Grande erro. Os adultos se voltam para mim com ar de fúria e berram para que eu saia dali. Cai a cortina.
Nem gosto de pensar quão velha é essa cena, mas, desde então, ficou claro para mim que “dar” não era um verbo corriqueiro. Havia nele um significado latente, carregado de censura e de silêncio, que o tornava irresistível. Mesmo hoje, tanto tempo depois, quando a compreensão e o uso banalizaram o sentido erótico de “dar”, a palavra ainda me parece fascinante. Há tantas maneiras de falar do ato sexual quanto são as línguas humanas, m…