sábado, janeiro 31, 2009

SABOR DE LOUCURA...



A boca ousada
Navega na doçura do seu bejio
Num gesto apressado
Saboreia sua pele semi nua
Louca procura.


A língua insana
Divaga na exuberância dos seus mistérios
Apossa-se da emoção
Faz enlouquecer sua razão;
A pele sacana se eriça, se atiça
Sente o desejo extrapolar...


Na louca procura
A boca desata
As amarras da obediência
Liberta-se
Anima-se insensata
Naquela procura,
Vontade de beber na fonte
A seiva quente, remédio, cura...


A língua "saliente" desliza
Desdobra-se em frenéticas carícias
Aquece os sentidos
Sinto seu corpo se derramar
No delírio louco
Da minha boca ardente
A aquecer você
No agasalho do meu ser ...


A boca mágica se deixa inundar
Pelo sabor da loucura
Êxtase do seu querer..
A seiva bruta
Feito água mata minha sede
Sobre os acordes ofegantes do seu prazer..



Socorro Carvalho

Santarém, 30 de janeiro de 2009.



A CASTIDADE COM QUE ABRIA AS COXAS

A castidade com que abria as coxas
e reluzia a sua flora brava.
Na mansuetude das ovelhas mochas,
e tão estreita, como se alargava.



Ah, coito, coito, morte de tão vida,
sepultura na grama, sem dizeres.
Em minha ardente substância esvaída,
eu não era ninguém e era mil sere


sem mim ressuscitados. Era Adão,
primeiro gesto nu ante a primeira
negritude de corpo feminino.



Roupa e tempo jaziam pelo chão.
E nem restava mais o mundo, à beira
dessa moita orvalhada, nem destino.



Carlos Drummond de Andrade

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