terça-feira, março 13, 2012

O ABRIGO DAS CANOAS DE UQUENA


Espelho mágico que reflete o encanto do dia-a-dia da natureza e dos nativos deste imenso paraíso chamado Tapajós. Ás águas silenciosas e as canoas alagadas contam um pouco da poesia silenciosa dos homens e mulheres, caboclos, pescadores e produtores destes rincões. São dois símbolos do contentamento e da recompensa de Deus para com os filhos abandonados pelos senhores do Poder.



As canoas afogadas em águas tão límpidas, puras e transparentes, afogam também o cansaço dos braços que remam, que cultivam, que carregam, que puxam, que benzem... Elas morrem e descansam calmamente na profundeza de um lago quieto – por uma noite, ou por um dia – para depois retornarem vivas para o meio do Rio.


Vivificadas pelas mãos, pela alma, pela necessidade, pelos gestos fortes do seu criador, todos os dias – às vezes ao nascer do Sol, às vezes ao cair da noite ou em alta madrugada – elas ressuscitam, retornam a vida para continuar sua missão, desafiando os ventos e suas curvas, as maresias e as chuvas, tempestades e trovões...


Históricas guerreiras, de nomes diversos. Algumas se chamam “abençoada”, outras “Dona Maria”, umas “Mimosa” e por aí vai... Elas sempre são batizadas por seus donos e quando não tem um nome, cumprem mesmo assim a sua trajetória, guiadas por catraieiros, ou por outros trabalhadores e famílias inteiras que dela dependem.


As canoas... ah se eu fosse um pescador...! Não tenho dúvida... as chamaria de minhas amadas, e a uma, em especial, diria: “meu amor, sem ti não viverei, contigo, preciso seguir, para bem longe ou o mais perto que for. E ao cair da noite, ao retornar, encontrarei um abrigo para lhe fazer dormir e dormirei contigo se for preciso“. Pois esta é a sina daquele que rema. Assim é a vida daqueles que vivem em Uquena, onde há um porto seguro para todas elas, as canoas.


Foto: Francileno Rego ( o Leno)

Texto: Cesar Sousa ( maninho do Leno)

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