terça-feira, março 26, 2013

QUERO VOCÊ


Gosto da sua pele nua
Quando colada  em  meu corpo.
Gosto do seu cheiro
Quando  de seus poros exalam  os mais loucos desejos.
Gosto do seu cheiro de  cio, de macho sedento,  de  caboclo brejeiro  e vadio.
Gosto desses pensamentos loucos que me roubam os sentidos
Trazem –me  lembranças pervertidas , sabor bandido do seu prazer.
Amontoados de sensações vão se misturando ...
Em cada sensação uma vontade  louca de amar você.
Rebusco os sentidos , gozo meu desejo escondido.
Enquanto minha poesia sacana tenta desvirtuar   tua “sensatez”.
Imagino sua pele nua, seu suor se derramando
 Molhando minha pele...
Vejo seu  desejo enlouquecido devorando meu querer.
Sua boca inesquecível   tem  vapor , faz meu   desejo entrar em erupção...
Pelas ruas  eu te  caço, te   acho  e me   entrego a você. 
Sua pele nua, seu cheiro...
São labaredas que  acendem minha volúpia...
Quero você.


Socorro Carvalho



A SEDUÇÃO SEMEIA O AMOR E NUTRE O DESEJO. NÃO PODEMOS TER MEDO DELA


No momento em que o desejo se manifesta em mão dupla, o melhor a fazer, claro, é deixar que os acontecimentos tomem o seu rumo natural. Esse braseiro inicial pode muito bem evoluir para o fogo da paixão, o qual, se for bem cuidado e alimentado, irá perdurar na forma de uma história de amor. Para isso, no entanto, é preciso afastar o receio de seduzir e de ser seduzido.

Há algumas semanas, escrevi aqui sobre como o desejo é importante no desencadeamento de uma relação amorosa. Hoje quero ressaltar que não basta desejar, é preciso que o desejo tenha mão dupla e que cada um internalize a atração recebida para que a sedução aconteça e, assim, a história prossiga, podendo se transformar em amor. Nas palavras do psicanalista francês Daniel Sibony (70), que estão em seu livro Sedução, O Amor Insconsciente (Brasiliense), “o jogo começa quando o outro, por algum motivo que só os deuses conhecem, incorpora o nosso desejo”.


E que jogo é esse? É aquela fase da relação em que um diz para o outro o que ele quer ouvir, o que desperta seus prazeres e fantasias, mesmo sem ter muita certeza sobre quem de fato é aquela pessoa, o que pensa e deseja. É um período em que ambos seguem o insconsciente, com o objetivo único de despertar o afeto e o desejo. Um momento em que fica difícil saber o que é fantasia e realidade, o que é palpável ou imaginário — a distinção entre uma e outra coisa só será perceptível quando o casal se aproximar e ocorrer o encontro.


Toda essa sedução, diz Sibony, “eterniza o desejo”. Ou seja: não acaba na fase inicial do encontro, mas se perpetua no relacionamento, permanece quando começa a história de amor — se ela começa, claro. Por isso é tão importante. Faz com que o desejo caminhe de “mãos dadas” com o amor. Se ela não acontece, como um prenúncio do amor, este esfria, o sexo deixa de existir e os sonhos tomam rumos diferentes. Resumindo, o casal se afasta. É o desejo que impulsiona a busca, o querer o outro junto em todos os sentidos e para todos os planos e projetos da vida.


O que pode atrapalhar a passagem da sedução para a história de amor? O medo, principalmente. O medo que todos temos da entrega, da dúvida sobre se é a pessoa que procuramos, com quem sonhamos. E também o medo de o desejo não perdurar quando a sedução “der no pé” e ficar só o amor — se ele ficar. Isso tudo afugenta os enamorados, dificulta a entrega e a aproximação, inibe a sedução. Uma vez bloqueado esse canal de comunicação, a relação não anda, estaciona. E, como sabemos, quem não se envolve não se desenvolve.


O medo é compreensível. De início, ninguém sabe mesmo aonde a “brincadeira” vai parar, o que pode acontecer dali pra frente. Sem saber e eventualmente ressabiadas por amores frustados no passado, acendem o sinal vermelho antes do tempo. É uma defesa. Mas é possível administrar esse medo.


Para amar, precisamos deixar que a sedução e o desejo aconteçam, ou nunca viveremos uma história de amor. A coragem pode vir da consciência desse fato, dessa ordem natural dos acontecimentos. Claro que vale a pena também evitar a armadilha de confundir o que é real e com o que é imaginário. Isso é possível, se ficamos atentos aos sinais. E no momento em que a sedução ultrapassar a atração do corpo e cada um sentir um desejo aparentemente inexplicável de estar com o outro, achando, ambos, que já se conhecem muito bem e que se completam, que se sentem plenos juntos, quando a ausência de um fizer a existência do outro se tornar insurportável, neste momento o desejo transformou a sedução em uma história de amor. Na sua história de amor.

Fonte:  Caras

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