quarta-feira, novembro 13, 2013

A SOMBRA QUE NOS HABITA



Há uma tristeza em nós que precisa ser respeitada

Há uma tristeza em nós que sobrevive às maiores alegrias. Todo mundo sabe disso. Freud, Shakespeare, Paulo Leminski. Um dia, inevitavelmente, os neurocientistas irão localizar, com ajuda de ressonância magnética, o vão do cérebro que permanece cinza mesmo no auge da euforia e no ápice da paixão. Então saberemos, com rigor científico, o que sempre soubemos: que a sombra e a melancolia são partes inseparáveis de nós.

Ter isso claro ajuda a entender o que nos passa. Ajuda a compreender nossos humores estranhos. Ajuda a entender uma tarde sombria no auge do verão. Ajuda a aceitar uma noite em claro, o silêncio no meio da festa, a vontade irresistível de chorar ouvindo uma canção no rádio. Também somos assim.

Às vezes temos sonhos de abandono em momentos serenos da vida. Neles, a pessoa que a gente ama vai embora, nos vira as costas, torna-se repentina e irremediavelmente inacessível. A gente acorda de um sonho desses com a alma turva, tomado de desconfiança. Olha cheio de ressentimento para a outra, adormecida ali ao lado, e se pergunta: por quê?

Não acho que exista uma resposta, mas eu tenho uma teoria.

A mim parece que a natureza nos dotou de alarmes. De quando em quando, um deles dispara para nos lembrar, realisticamente, que não há bem que sempre dure. É como se algo em nós dissesse (através do sonho, da inexplicável melancolia, de um pressentimento repentino), “Por favor, não se acostume. As relações não são eternas, a vida não é simples, a dor é inevitável.” Algo em nós avisa que a tristeza faz parte da vida.

Muita gente não está interessada, claro. A moda é parecer feliz e bem-sucedido. Tem mais de um rei do camarote dando pinta por aí. Mas essa fachada social sorridente precisa ser posta de lado na intimidade - ou a intimidade não existe. No aconchego de uma relação verdadeira, tem de haver espaço para os nossos medos, as nossas falhas e as inconfessáveis inseguranças. O lado B da alma humana precisa aparecer, nem que seja no escuro. Sem ele a gente não se entende, nem entende o outro.

Isso não cabe na trama das novelas, mas pessoas de verdade têm sonhos e dias ruins. Gente de carne e osso frequentemente parece incompreensível. Certas manhãs, elas nos olham com tanta tristeza que dá vontade de escrever um poema, de abraçar apertado, de segurar pelas bochechas e dizer “Eu sei como é. Eu estou aqui”. Talvez nem adiante, mas faz parte. Estamos nesse mundo também para nos consolar mutuamente.

Por isso acho bacana respeitar minha tristeza e a dos outros. Ela faz parte. Nos livra da idiotia de um sorriso permanente. Nos coloca em harmonia com um mundo nem sempre gentil. Reflete algo de profundo e inexorável da nossa biologia. No final das contas, é parte de nós. Como a alegria. Se não ligarmos para ela durante o dia, virá nos visitar durante a noite, num sonho – do qual sairemos de olhos molhados e sozinhos, até que um abraço nos resgate.

ACALANTO



Vai amado.
Busca por onde quiseres,
com quem quiseres,
como quiseres,
o prazer.
Até mesmo,
aquele prazer que um dia alguém apelidou de amor.
E, se por acaso te cansares e,
do compromisso que um dia nos uniu te lembrares,
se desejares, volta.
Serei a que conforta.
Não saberás da dor,      
da saudade,
das lágrimas sentidas que tua ausência causou.

Ada Ciocci

JÁ É AMANHÃ 1º SEMINÁRIO DE ACESSIBILIDADE DA UFOPA

Nesta quinta feira(14), ocorrerá o 1º Seminário de Acessibilidade da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA),  no Auditório do Câmpus Tapajós, situado no bairro do Salé.

O encontro é aberto à comunidade acadêmica e tem por objetivo discutir, com os docentes, discentes e técnicos administrativos da UFOPA, a temática da acessibilidade na instituição, abordando os aspectos conceituais, pedagógicos e normativos.

O outro objetivo é debater os mecanismos de acesso dos servidores, estudantes da universidade e da comunidade externa que necessitem dos seus serviços, a fim de atender às políticas de acessibilidade.
O Seminário começas às 8horas com o credenciamento dos participante . Às 8h:30 cerimônia de abertura seguida do  painel integrado que tem como tema:  “Acessibilidade na UFOPA: avanços e desafios na efetivação do acesso e permanência na educação superior’’, a ser realizado pelo Grupo de Trabalho Pró-Acessibilidade.

Às 10h15, será a palestra ‘‘O direito da pessoa com deficiência à educação: avanços e desafios na efetivação do acesso e permanência na educação superior’’ que será proferida pela  Profa. Martinha Clarete Dutra Santos, da Diretoria de Políticas de Educação Especial do Ministério da Educação (MEC).
A tarde às 14 horas ocorrerá a palestra ‘‘Universidade acessível a todos’’   com o  Prof. Evandro Guimarães, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

O Seminário é resultado de discussões desenvolvidas no âmbito do Grupo de Trabalho Pró-Acessibilidade, instituído pela Reitoria por meio da Portaria nº 1.293, de 12 de agosto de 2013, o qual conta com a participação de vários setores das unidades acadêmicas e administrativas da UFOPA.


Coordenado pelo servidor Luís Alípio Gomes, da Pró-reitoria de Ensino de Graduação (Proen), o GT Pró-Acessibilidade tem como objetivo discutir a política de acessibilidade da UFOPA por meio da criação, estruturação e instalação do Núcleo de Acessibilidade da Universidade.

Fonte: Ufopa

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