A SABEDORIA DO EROTISMO


Transar pode ser um excelente e prazeroso meio de alcançar a sabedoria e a união com o divino: esta é a tese dos orientais
Por Jesse Navarro
      Mãos nas mãos, olhos nos olhos. Beijos, abraços, carícias cada vez mais ousa¬das. E finalmente a entrega total e mútua. Os corpos se encontram e se fundem no prazer de satisfazer o desejo que os incendeia. Fazer amor é uma das nossas atividades mais gratificantes. E pode ser ainda mais completa se, além do corpo, também a mente e o espírito estiverem envolvidos. Deste modo, a transa se tornará uma via de aperfeiçoamento, segundo os adeptos do tantrismo - uma filosofia que teve origem nas margens do rio Indo (onde hoje fica a Índia). Foi desenvolvida pelos drávidas, povo que ali viveu há 3 mil anos e que influenciou mui¬tas das escolas místicas posteriores. Os drávidas tinham consciência de que muitos caminhos levam à união com a consciência cósmica, ou seja, à sabedoria. E um desses caminhos é a relação sexual. O sexo era tratado por eles com tamanha deferência que, na língua desse povo (o sânscrito), os órgãos sexuais recebiam nomes poéticos: o pênis era chamado de lingam, que significa “bastão de luz”, e a vagina de yoni, ou seja “espaço sagrado”.

      A sexualidade é tão importante para o tantrismo que duas das suas maiores divindades, Shiva e Shakti – que representam respectivamente o homem e a mulher - são dois princípios complementares e inseparáveis. Ou seja: os princípios masculino e feminino são dois aspectos da mesma coisa. Shakti repousa, no corpo humano, no chacra (centro energético) da baseia espinha dorsal. Shiva é associado ao chacra do centro da cabeça. Mas nem por isso o masculino é superior ao feminino. Shiva e Shakti representam os dois pólos da mesma, energia cósmica. Sem ela, o homem se¬ria só consciência, incapaz até de se mover. O espiritual também não é considerado superior ao físico: o contato com o divino se dá pelo espírito, mas o corpo é um templo vivo. Nele, durante a atividade sexual, Shakti se desloca pelos chacras, ativando-os e pro¬movendo uma melhora física, mental e psíquica. Até que, nas pessoas mais evoluídas nas práticas tântricas, ela chega ao chacra de Shiva e ambos estabelecem uma ligação com o absoluto, com o plano divino. Portanto, nem remotamente os tantristas associam ao sexo a idéia de pecado ou de atividade menor. Tanto assim que os drávidas deixaram uma série de textos em sânscrito com técnicas para o contato pleno entre os, amantes. Naturalmente, o que esses textos ensinam é apropriado ao estilo de vida daquele povo, que era bem diferente do nosso. Mas o modo mágico pelo qual ele fazia amor pode ser adaptado à nossa realidade:

 O ritual da transa Você também pode reservar um bom espaço de tempo - um fim de semana, por exemplo - para se dedicar ao amor tântrico. Naturalmente, a pessoa com quem vai partilhar esse ritual romântico e mágico tem de ser alguém que você ame e em quem confie. Dê preferência a uma fase da Lua cheia e procure seguir à risca o roteiro indicado abaixo:



O despertar: O homem e a mulher devem dormir juntos e acordar às 4 horas da manhã. Às 6, tomam o primeiro banho do dia. (Os outros acontecerão ao meio-dia e às 6 da tarde, horários mágicos para o tantrismo).
 


As roupas:
Após o banho das 6 da manhã, os dois vestem roupas confortáveis - de preferência, túnicas feitas especialmente para a ocasião. A dele será vermelha e a dela, violeta.




As comidas:
Durante todo o dia, a alimentação será bem leve e à base d frutas. A mulher come bananas, que lembram o sexo masculino, e o homem come mamão, que lembra o sexo feminino. Outras frutas serão comidas por ambos, indistintamente. É o caso da maça (associada ao conhecimento), da pêra (associada ao útero), do caqui (associado à sexualidade), do pêssego (associado aos seios), do morango (associado ao coração e, portanto, à capacidade de amar). Se optarem por uvas (associadas ao sêmen), o homem deve colocá-las, uma a uma, na boca da mulher, e vice-versa. O mel também será incluído na dieta desse dia especial.




O relaxamento:
Para alimentar o espírito, o casal deve ter muita poesia e ouvir música clássica e new age. A longa e gostosa preparação para o momento de êxtase deve incluir massagens relaxantes nos ombros e na sola dos pés, com óleos perfumados. Não se preocupe com a técnica da massagem: sua intuição será o melhor guia, nesses momentos.




A energização:
Os mudras (gestos que emitem energia) são outro elemento importante do ritual. No mais comum deles, as mãos se posicionam como para uma oração, em frente do peito, e cada pessoa visualiza a energia fluindo do seu coração para o do seu par e envolvendo ambos os corpos numa luz violeta.




O aposento:
Após o banho das 6 da tarde, os dois se recolherão ao quarto, que deve estar iluminado por uma vela e enfeitado com flores vivas, plantadas em vasos. A orquídea e a margarida são as mais indicadas. A cama receberá um lençol virgem, branco ou cor-de-rosa. Queimar incenso (com perfume de sândalo) ajudará a criar o ambiente mais propício para a magia.



O fortalecimento dos sentidos:
Já nus, o homem e a mulher sentam-se, face a face, e cada um pinta com guache um ponto vermelho entre as sobrancelhas do outro. É o olho de Shiva, que fortalece a intuição e a capacidade de sentir, de interiorizar tudo o que acontece. Enquanto se olham nos olhos, sem qualquer preocupação de analisar o que estão fazendo, ambos voltam seus pensamentos para Shiva e Shakti e mentalizam exclusivamente coisas boas. Alguns mantras (sons sagrados) devem ser entoados oito vezes seguidas. Om Klim Krom e Om Sri Gam, por exemplo, farão aflorar o amor sincero e removerão todos os obstáculos à felicidade.



A transa: Finalmente, os dois se entregam ao ato sexual propriamente dito. Sem ansiedade nem freios, vão se estimular e se satisfazer lenta e delicadamente, como se dançassem ao som de uma melodia muito suave e elaborada. Gestos violentos, angulosos ou apressados são "proibidos", mas o fundamental é seguir a própria intuição. Com o tempo e o conhecimento do ritmo e das preferências do par, ambos conseguirão uma harmonia tão completa que poderão adiar o êxtase por quanto tempo quiserem. Aliás, nos rituais drávidas, a ejaculação nem costumava ocorrer, já que o ato sexual não tinha, no caso, o fim de promover a procriação. Mas esse controle total é quase impossível para as pessoas com uma educação ocidental, como a nossa, e não convém persegui-lo obsessivamente. Tudo deve ocorrer de modo natural, para que os amantes relaxem tão profundamente que o pensamento acabe sendo abolido. Assim, a transa se torna uma forma de meditação. A espontaneidade é fundamental, pois o amor tântrico é uma forma natural de promover o encontro de Shakti com Shiva e despertar o divino que mora em nós.


Fonte: Templo da aula terapia

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