quarta-feira, maio 18, 2011

ESSA É BOA: DIVISÃO DO PARÁ: E O FUTEBOL,COMO FICA?



Depois da aprovação do plebiscito na Câmara dos Deputados, em Brasília, no último dia 5, o paraense espera pela resposta da votação popular, que acontecerá nos próximos meses e decidirá sobre a criação de dois novos Estados: Carajás e Tapajós. Caso aprovada, a divisão do Pará iria influenciar - direta ou indiretamente - na vida de pouco mais de sete milhões de pessoas. Essas mudanças transcendem a política, o comércio e a cultura.


O futebol local, por exemplo, também sofreria mudanças. O atual formato do Campeonato Paraense (1° e 2° divisão) perderia vários clubes do interior, novas federações iriam ser criadas e clubes inativos poderiam voltar a surgir, dentre outras possibilidades. A questão divide opiniões e o Bola procurou as partes envolvidas para saber o que os torcedores e dirigentes acham sobre o impacto desta divisão nos clubes paraenses.

O acadêmico de Direito Diego Magno, 20, acredita que a divisão, do ponto de vista clubístico, iria enfraquecer ainda mais o combalido futebol do Pará. “Já não temos tantos times fortes e ainda iríamos perder o Águia e o São Raimundo. Aí fica difícil de ter um campeonato local empolgante”, diz o jovem, que é torcedor do Fluminense e não acompanha os times da capital “pelo fato de os clubes nunca saírem do limbo do futebol nacional”. À primeira vista, seriam criados três “polos”, onde o Pará ficaria com Remo e Paysandu; o Carajás com o Águia; e o Tapajós com o São Raimundo. Isto contando apenas os quatro maiores clubes do Pará atualmente, em termos de resultados e de aumento na torcida nos últimos anos (casos de Pantera e Azulão, do interior). Na comparação Carajás versus Tapajós, o primeiro levaria uma larga vantagem sobre o segundo.

Isto porque no site da FPF (Federação Paraense de Futebol) apenas São Raimundo e São Francisco estão cadastrados como clubes profissionais no Tapajós, enquanto no Carajás, além do Águia, constam Independente Tucuruí e Parauapebas, clubes que possuem apoio de prefeituras e da iniciativa privada, fora as torcidas locais. “Acho que seria bom pro meu time (São Raimundo). O Pantera ia ter mais visibilidade e recursos, além do fortalecimento do São Francisco, que rivalizaria com o São Raimundo. Tipo um Re-Pa”, afirma a servidora pública Jane Sena, 39.

Já o estudante de Publicidade Roberto Bino acha que a descentralização iria ser maléfica para os clubes de um modo geral. “O Águia iria reinar de um lado, o São Raimundo de outro, e a dupla Re-Pa em cima. Sozinhos, teríamos campeonatos bem mais fracos. Todos perderiam, com certeza”, acredita Bino, torcedor fanático do Paysandu. Segundo a FPF, atualmente existem 24 equipes profissionais cadastradas no Estado. Confira no infográfico a divisão imaginária dos clubes. Isto seria melhor para seu time?


Dirigentes já analisam a possibilidade


Para os cartolas paraenses, os prós e contras dessa possível divisão do Pará em três partes só poderão ser evidenciados caso a criação dos Estados do Tapajós e do Carajás seja aprovada em plebiscito. Mas já tem gente estudando o caso. É o caso do São Raimundo. “Já estamos conversando (dirigentes) sobre a criação de uma nova Federação, a do Tapajós, caso o novo Estado seja mesmo criado”, revela Sandiclei Monte, diretor do Pantera.

O cartola é contra a divisão do Pará, mas do ponto de vista do seu clube, a questão seria mais complexa. “O São Raimundo iria arrecadar mais dinheiro e iria ser a potência do Tapajós. Por outro lado, não temos um rival à altura, já que o São Francisco ainda precisaria se estruturar para rivalizar conosco. E todos sabem que time grande não vive sem um grande rival”. Para o presidente do Águia, Sebastião Ferreira, a rivalidade que iria se formar no Estado de Carajás iria ser grande e benéfica. “Nós (Águia), Independente e Parauapebas iríamos ser os times mais fortes do Estado, fora os novos clubes que iriam surgir. Sem dúvida, todos ganhariam com isso”, opina.

Em Belém os clubes pouco se interessam no assunto – do ponto de vista do futebol. O presidente da Tuna, Fabiano Bastos, resume bem esse panorama. “Isso (divisão) não iria afetar em nada os times da capital. Mas os demais clubes do interior seriam prejudicados”, diz.


FEDERAÇÃO

O dirigente que mais deveria estar interessado no impacto que os (possíveis) novos Estados poderiam causar no futebol paraense, o coronel Nunes, presidente da FPF, preferiu “não opinar sobre coisas que não existem”. “Se a divisão acontecer, é cada um por si e tomando conta da sua federação”. Ele negou qualquer tipo de estudo e acompanhamento da FPF sobre a separação geográfica dos clubes.


Diário do Pará

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