quinta-feira, agosto 18, 2011

ELOGIE DO JEITO CERTO

Professor Cléo Neves diretor da escola São Francisco - Bairro São Francisco
 auxiliando as crianças do Letramento

Recentemente um grupo de crianças pequenas passou por um teste muito
 interessante. Psicólogos propuseram uma tarefa de média dificuldade
 mas que as crianças executariam sem grandes problemas. Todas
conseguiram terminar a tarefa depois de certo tempo.

 Em seguida, foram divididas em dois grupos. O grupo A foi elogiado
 quanto à inteligência. “Uau, como você é inteligente!”, “Que esperta
 que você é!”, “Menino, que orgulho de ver o quanto você é genial!” … e
 outros elogios à capacidade de cada criança.

 O grupo B foi elogiado quanto ao esforço. “Menina, gostei de ver o
 quanto você se dedicou na tarefa!”, “Menino, que legal ter visto seu
 esforço!”, “Uau, que persistência você mostrou. Tentou, tentou, até
 conseguir, muito bem!” … e outros elogios relacionados ao trabalho
 realizado e não à criança em si.

 Depois dessa fase, uma nova tarefa de dificuldade equivalente à
 primeira foi proposta aos dois grupos de crianças. Elas não eram
 obrigadas a cumprir a tarefa, podiam escolher se queriam ou não, sem
 qualquer tipo de consequência. As respostas das crianças
 surpreenderam. A grande maioria das crianças do grupo A simplesmente
 recusou a segunda tarefa. As crianças não queriam nem tentar. Por
 outro lado, quase todas as crianças do grupo B aceitaram tentar. Não
 recusaram a nova tarefa.

 A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos
 filhos e nossos alunos. O ser humano foge de experiências que possam
 ser desagradáveis. As crianças “inteligentes” não querem o sentimento
 de frustração de não conseguir realizar uma tarefa, pois isso pode
 modificar a imagem que os adultos têm delas. “Se eu não conseguir,
 eles não vão mais dizer que sou inteligente”.

 As “esforçadas” não ficam com medo de tentar, pois mesmo que não
 consigam é o esforço que será elogiado. Nós sabemos de muitos casos de
 jovens considerados inteligentes não passarem no vestibular, enquanto
 aqueles jovens “médios” obterem a vitória. Os inteligentes confiaram
 demais em sua capacidade e deixaram de se preparar adequadamente. Os
 outros sabiam que se não tivessem um excelente preparo não seriam
 aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais
 exercícios, leram e se aprofundaram melhor em cada uma das
 disciplinas.

 No entanto, isso não é tudo. Além dos conteúdos escolares, nossos
 filhos precisam aprender valores, princípios e ética. Precisam
 respeitar as diferenças, lutar contra o preconceito, adquirir hábitos
 saudáveis e construir amizades sólidas. Não se consegue nada disso por
 meio de elogios frágeis, focados no ego de cada um.

 É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso se
 faz com elogios, feedbacks e incentivos ao comportamento esperado.
 Nossos filhos precisam ouvir frases como: “Que bom que você o ajudou,
 você tem um bom coração”, “parabéns meu filho por ter dito a verdade
 apesar de estar com medo… você é ético”, “filha, fiquei orgulhoso de
 você ter dado atenção àquela menina nova ao invés de tê-la excluído
 como algumas colegas fizeram… você é solidária”, “isso mesmo filho,
 deixar seu primo brincar com seu videogame foi muito legal, você é um
 bom amigo”.

 Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o
 comportamento da criança que tenderá a repeti-los. Isso não é “tática”
 paterna, é incentivo real. Por outro lado, elogiar superficialidades é
 uma tendência atual. “Que linda você é, amor”, “acho você muito
 esperto meu filho”, “Como você é charmoso”, “que cabelo lindo”, “seus
 olhos são tão bonitos”. Elogios como esses não estão baseados em
 fatos, nem em comportamentos, nem em atitudes. São apenas impressões e
 interpretações dos adultos. Em breve, crianças como essas estarão
 fazendo chantagens emocionais, birras, manhas e “charminhos”. Quando
 adultos, não terão desenvolvido resistência à frustração e a
 fragilidade emocional estará presente.

 Homens e mulheres de  personalidade forte e saudável
são como carvalhos que crescem nas
 encostas de montanhas. Os ventos não os derrubam, pois cresceram na
 presença deles. São frondosos, copas grandes e o verde de suas folhas
 mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.
 Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura
 firme e carinhosa.


 [Por Marcos Meier é mestre em Educação, psicólogo, professor de
 Matemática e especialista na teoria da Mediação da Aprendizagem em
Jerusalém, Israel]


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