terça-feira, outubro 04, 2011

MUDAMOS SE DESEJAMOS



Outro dia, caminhava em direção ao trabalho quando vi de relance alguém que havia coordenado um grupo do qual fiz parte na minha puberdade. Pessoa distinta que pregava a Palavra de forma bonita, mas que com o passar dos anos foi se afastando da Igreja. Também, na mesma semana, ouvi relatos sobre alguém que admirei na juventude, e que mudou completamente de comportamento ao longo da vida, assumindo atitudes diversas daquelas que me inspiraram fascínio e respeito. Tomei conhecimento ainda de alguns fatos praticados por pessoas que tinha em alto conceito, e que me decepcionaram, embora não tenham feito, diga-se de passagem, nada de errado ou grave.

Percebi, assim, que quanto maior a expectativa que temos das pessoas, mais fácil fica nos frustrarmos diante das constatações que a vida traz. Num primeiro momento, tendemos a descrer do ser humano, pois muito esperávamos. Um pouco de reflexão, no entanto, mostra como somos frágeis e vulneráveis em nossas decisões, opções de vida, escolhas. Tantas possibilidades à nossa volta nos levam à indecisão, principalmente se desejamos experimentar tudo ou optar pelo que aparenta ser mais vantajoso. Estou para afirmar que o "melhor" não existe. Ao menos, não na concepção que temos de melhor, pois o "meu melhor" pode diferir do "seu melhor". As decepções serão muitas, já que somos imperfeitos e falíveis. É inevitável.

Dói menos quando a gente compreende que o erro do outro nos faculta a possibilidade de errar também. Faculta, compreendeu? Isso não quer dizer que devamos fazer igual. Apenas gera um pouco de conforto ao nos depararmos com a nossa imperfeição, que muito nos serve para desculpar erros e deslizes (cometidos, normalmente, pelo próprio prazer de cometê-los). A santidade, às vezes, parece ser desagradável. Chateia, incomoda, humilha quem não consegue atingir o ideal proposto. É por isso que muitos abandonam as igrejas. Fica difícil viver a santidade na Terra. Além disso, os templos estão repletos de pessoas imperfeitas, e isso decepciona, não é mesmo?

Se decepciona por um lado, conforta pelo outro. Somos todos sujeitos a falhas. Vamos nos decepcionar com os outros, sem dúvida, e certamente muitos se decepcionarão conosco. Mas, a vida é assim. Hoje a gente cai; amanhã a gente levanta, ou vice-versa, pois o aprendizado implica em muitos exercícios e repetições. Podemos mudar sempre. É uma faculdade que o Senhor nos deu. Mas, somente mudamos se desejamos. Há os bons que se tornam mesquinhos, e os mesquinhos que se tornam bons. Há os crentes que se tornam descrentes, e os descrentes que passam a crer. Há os humildes que se tornam vaidosos, e os vaidosos que ficam humildes. Tudo depende da forma como assimilamos as lições da vida. Não sei o que o futuro nos reserva, mas confio que será o "melhor", ainda que o melhor não seja exatamente como a gente imagina.

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