segunda-feira, outubro 31, 2011

MUDANÇA DE CLIMA EM SANTARÉM: MITO OU VERDADE*

Santarém localizada ao Oeste do Pará é uma cidade de clima quente e úmido com temperatura média anual de 28º C. A região tem apenas duas situações climáticas: a invernosa, período da chuva e do verão, clima seco época de muito sol. São seis meses que o santareno vive com uma temperatura alta com sol escaldante, que vai de junho até o final de novembro, início de dezembro quando começa a chover.
Sua localização é privilegiada, pois fica em meio à floresta e cercada por rios, mesmo assim não está livre das fortes temperaturas e nos últimos anos o município vive uma sensação de aumento na temperatura dando a impressão de mudança  na sua climatologia. Este acontecimento vem sendo motivos de vários questionamentos por parte de pesquisadores e a própria população que vive essa sensação com o calor fora do normal em Santarém.
Falar em mudança de clima é meio complexo. Para um cidadão comum, um pequeno aumento de temperatura parece que o clima está mudando, já para um cientista não é bem assim, há uma explicação para tal acontecimento. A diferença é determinar o estado do caso a ser estudado. Por exemplo: clima urbano é local, chamada Ilha de Calor dado pela estrutura e mudança da paisagem da cidade, já a mudanças climáticas é global.
Uma coisa é você mudar o clima de determinado local de uma cidade, outra coisa é você mudar o clima global onde terá que aumentar a concentração de gazes, principalmente de hidróxido de carbono que mais absorve radiação. Vários fatores contribuem para esse acontecimento, como os provocados por fenômenos naturais ou por ações humanas tornando a cidade cada vez mais quente, fortalecendo a aparência de uma possível mudança no clima da cidade.
Você mexe no ambiente tirando a vegetação, está desmatando, com isso, baixa o nível de vapor d’água que joga na atmosfera e, consequentemente diminui a quantidade de nuvem e dar o impacto na chuva.
No clima geral do planeta terra essa alteração começou em estudos verificados por climatologistas a partir do século XVIII com a revolução industrial, onde foi verificado um grande aumento na poluição do ar e o aumento da temperatura mundial, com fenômeno do aquecimento global. No Clima regional a alteração veio com o desenvolvimento urbano, serviço de pavimentação de ruas, construções de prédios e o alto índice de desmatamento.
O professor João Feitosa meteorologista da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), participa de um grupo de pesquisadores em Belém responsável em verificar mensalmente o comportamento do clima de algumas cidades da Amazônia como Macapá, Belém, Santarém, Manaus e Boa Vista, e emitir boletins regularmente com os resultados. Este projeto tem parceira com o Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), que iniciou em 2009 e tem como objetivo estudar algumas variáveis climáticas como temperatura, umidade relativa do ar, chuva, precipitação, irradiação e índice de calor.
Segundo o professor João Feitosa, em Santarém já existe um trabalho neste sentindo de observar o clima da cidade onde foi instalado um sensor no terreno  da TV Encontro, na Avenida São Sebastião no centro da cidade e a previsão que seja colocado outro sensor num espaço da Capitania dos Portos no bairro da aldeia até 2012. Feitosa afirma que em Santarém a temperatura tem se mantido estável, pois a cidade é banhada por rios que contribuem e equilibram a temperatura.
João Feitosa faz uma revelação surpreendente. Embora seja em pequena escala por incrível que pareça a temperatura de Santarém está um pouco mais elevada do que a temperatura da cidade de Manaus. O professor tem uma explicação para isso. Em Manaus a velocidade do vento é menor, Santarém é mais ventilada, porém a temperatura do ar está maior na cidade de Manaus, mas é importante dizer que não está mudando a temperatura de Santarém, porque os dados ainda não permitem dizer isso, pois é preciso estudar vários anos para poder se afirmar que está mudando o clima de Santarém, acrescentou Feitosa.
As primeiras observações estão sendo feitas através de medição para daqui a alguns anos ter uma tendência do que está acontecendo com a temperatura da cidade, porque até agora a mudança é muita pequena, por exemplo, de 2009 para 2011 em termos médios é considerada insignificante. A maior dificuldade de se fazer uma observação mais precisa é que não existem dados anteriores para poder fazer uma comparação, a única estação que tinha em Santarém foi desinstalada há tempos atrás e os pesquisadores não tiveram acesso a ela, mas, de fato, os pesquisadores não tem observado uma mudança brusca na mudança do clima em Santarém.
O professor explica que, existem indicativos fortes em dados científicos na mudança da concentração de gazes na atmosfera, as vezes mudando a rotina na formação de gazes, os chamados gazes de efeitos estufa. Gazes que fazem com que tenha um aquecimento em nosso planeta, entretanto a quantidade de gazes que dizem está mudando o nosso clima, são dados insuficientes para se afirmar categoricamente que estamos passando por uma mudança climática.
Segundo o professor João Feitosa, é importante dizer também, que para se afirmar que está mudando o clima, é preciso estar observando o clima durante vários anos 20, 30, 50 anos etc. Então não se pode afirmar que 1 ano, 2 anos ou um fato isolado está mudando o clima. Para se afirmar que está mudando o clima de um determinado lugar é preciso observá-lo durante muito tempo.
A temperatura do solo é um fator regulador do processo de troca de massa e energia com a atmosfera, desta maneira, influencia fortemente nos processos físicos, químicos e biológicos que ocorrem em superfície até determinadas profundidades, ocasionando a variação da temperatura.
Atualmente, a região vem passando por significativas mudanças no uso do solo pela forma desordenada de seu manejo para o uso da agricultara. Santarém é visto como um município que tem um grande potencial na área agrícola, porém esse tipo de desenvolvimento vem sendo feito de forma incorreta agredindo o meio ambiente.
Além disso, está existindo em Santarém um fenômeno chamado Ilha de calor, proporcionado por alguns fatores como a posição dos ventos, pela impermeabilidade do solo e outros, e isso faz com que aumente a temperatura onde está sendo feito o registro. Isto muita vezes é usado de forma por algumas pessoas que não sabem muito bem qual a diferença de mudança climática e ilha de calor, e usam o argumento para referendar para dizer que está acontecendo uma mudança climática, diferentemente de um especialista no ramo como um climatologista.
Então João Feitosa volta a dizer, uma coisa é mudança climática, outra coisa é Ilha de calor. A diferença está onde a Mudança Climática acontece totalmente na mudança de clima do Planeta provocados pela irradiação de gazes absolvidos, fazendo com que se tenha um aumento da temperatura média do Planeta, é como existem poucos dados para se afirmar isso, fica difícil embora uma grande parte de cientistas diga que está acontecendo, mas a quantidade de instrumentos utilizados serie insuficiente para isso.
Outra grande discussão é, quanto é que estar mudando. João Feitosa observa que alguns panoramas com estudos em painéis sobre mudanças climáticas tratam vários cenários desde o otimista até o pessimista com modelos matemáticos para tentar entender o que poderá acontecer com o planeta nos próximos 100 anos.


O clima é considerado muito dinâmico, podendo ocorrer inclusive erros numa previsão de 3, 4 meses onde o tempo é considerado arriscado. Para Feitosa, ainda é um grande desafio, pois a ciência precisa avançar para poder afirmar com maior segurança se realmente está mudando o clima em nosso planeta.
Já a Ilha de Calor é local, algo que acontece nas grandes cidades por causa do adensamento, pois um termômetro fixado em um local vai determinar uma temperatura provocada por vários objetos que estão em seu entorno. Então, tudo isso é chamada Ilha de Calor, que segundo o professor existe um estudo sendo feito em Santarém.
A Ilha de Calor é provocada pelas edificações, ausência de árvore, impendido a ventilação; sistema viário com cobertura de asfalto e toda estrutura física que a cidade possui, e isso dará a medida daquele local, mais não de uma medida regional ou do planeta.
O Cientista também afirma que Santarém é uma cidade beira rio, e tem em seu entorno inúmeros igarapés e conta com uma grande floresta que contribui para amenizar esse problema, caso contrário a situação estaria mais complicada.
Com o desmatamento acelerado não só na região como vem ocorrendo em toda a Amazônia, a tendência é o calor aumentar principalmente no verão, pois ao invés de se plantar mais árvores, se derrubam muito mais, e ao contrário dos mananciais hídricos crescerem suas águas, eles secam cada vez mais, contribuindo para o aumento do calor.
O professor dar uma dica para minimizar o desconforto térmico que a população santarena está vivendo, e vai ajudar a preservar o meio ambiente. Uma delas está relacionada ao poder público em evitar edificações em frente à cidade, edificações verticalizadas, coisa que até agora foi possível. Outra situação, a construção das casas evitando cobertura com telhas que aquecem demais, utilizando as de barros com cores claras que refletem bastante a radiação; plantar árvore; o traje na utilização de roupas claras, evitando as escuras que absorvem bastante a radiação. São fatores que embora pequenos, somam e podem contribuir para uma melhor qualidade de vida da população de Santarém, que tem uma temperatura média de 28ºC durante o ano.




Igarapé do Urumari

Um fator importante que também colabora para o aumento do calor são os crimes constatados nos Igarapés, principalmente em suas margens que estão sendo desmatadas e, com a retirada de sua mata ciliar que protege seu assoreamento, eles vão secando e colaboram para o aumento do calor.
Um exemplo disso é o igarapé do Urumarí considerado um dos maiores da cidade (o maior seria do Irurá), com aproximadamente 12 km de extensão, e seria o seguimento do igarapé do Irurá, passando por seis bairros da cidade e desembocando no rio amazonas no bairro área verde.
A professora Sílvia Correa, bióloga e Pós graduada em gestão ambiental e desenvolvimento sustentável, desenvolveu um trabalho acadêmico na Faculdade de Tecnologia Internacional (FATEC), sobre um dos principais mananciais hídricos da cidade de Santarém, o Igarapé do Urumarí.
Impactos Perceptíveis ao Meio Ambiente: Um olhar para o Igarapé do Urumari é o tema do trabalho que fala da atual realidade de agressão ao meio ambiente natural que serve de habitat para uma riqueza significativa de seres vivos, marcado por palmeiras em suas margens, árvores típicas da mata ciliar, que servem de proteção e fonte de alimentação para qualquer recurso hídrico e tem predominância dos buritizeiros ou miritizeiros, que contribuem não apenas para a beleza do igarapé, mas tem uma função ecológica de extrema importância.
Segundo a professora Sílvia Correa, o Igarapé do Urumari nos últimos anos vem sendo impactado de forma intensa e violenta, seja pela própria falta de informação, falta de planejamento urbano, como pela negligência e ganância de alguns, que trazem como conseqüência a poluição, a contaminação, desmatamento e assoreamento, males que assolam e degradam este ecossistema. Para a bióloga, tal situação por si só, exige políticas ambientais dos órgãos competentes e do poder público para minimizar os impactos decorrentes da ação humana e assim termos o que ainda nos resta deste manancial, tão relevante para os organismos da fauna e flora, quanto para nós seres humanos.
“É preciso que cada ser humano tenha noção ampla de que o Igarapé é um recurso natural e precisa ser preservada” por isso a bióloga afirma que o fato de que a própria Administração Pública, por seguidos Governos, vem cometendo crime ambiental quando falta com o dever de organizar políticas públicas voltadas ao meio ambiente e, com a política do “desgoverno”, os agressores sentem-se confortáveis para continuar agindo, pois impera a certeza da impunidade.
Diante disso acreditamos que, é preciso que se crie campanhas de conscientização da população para os riscos da poluição, buscando a harmonia entre a natureza e a urbanização, melhor planejamento da cidade, evitando o surgimentos de bairros desordenados, cooperação com as entidades de proteção ambiental. Investimentos nas fontes alternativas de energia e na elaboração de novos tipos de combustíveis, maior controle e fiscalização sobre desmatamentos e incêndios nas matas e florestas, proteção e conservação dos parques ecológicos, Incentivo à população para plantar árvores. Assim fazendo estaremos colaborando para um meio ambiente mais saudável.
Do contrário, caso não haja uma rigorosa legislação, com penalizações pesadas para as pessoas e instituições que não estiverem de acordo com as leis, cometendo crimes ambientais daqui a poucos anos nossos filhos e netos irão sentir maiores conseqüências. Então se faz necessário que os orgãos competentes como o IBAMA, as secretarias de meio ambiente do estado e município e o próprio ministério do meio ambiente tomem providencias enquanto a tempo de se salvar a floresta amazônica para mais tarde não vejamos a população santarena, o povo brasileiro e até mundial, pois a floresta influencia em todo planeta sofrer graves conseqüências.



* Esta produção feita pelo jornalista Minael Andrade  faz parte da ação da Matéria “História da Ciência – ministrada pela professora Alessandra Carvalho, do Curso de Especialização em Jornalismo Científico da Ufopa a ser inscrita na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.
** Acadêmico da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) Pós Graduação em Jornalismo Científico (PROPPIT)

Por: Minael Andrade**
Fotos: Ronaldo Ferreira/Valdir Matias 


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