quarta-feira, março 02, 2011

DESLUMBRAMENTO

Fere-me o encantamento do teu vulto
como surpresa dentro de surpresa:
todo o meu ser, tomado de beleza,
escapa à treva que o trazia oculto.

Tudo em mim és tu: ar, sentidos, culto,
teus sonhos meus, a tua em mim tristeza,
e a música vestindo a natureza
ecoa o encantamento do teu vulto.

Na tua alma dorme a minha vida,
na minha trago a tua, adormecida,
mistério que me eleva e que me assombra.

Mas ainda assim, és um vapor fugace –
não chego a te tocar, como sonhasse
a sombra que sonhasse uma outra sombra.
 Jason Carneiro

OI, PAI!! TUDO BEM?

Pai, só ontem à noite quando deitei para dormir...
Foi que me caiu a ficha sobre a última grande novidade  que está ocorrendo em minha vida.
Peguei o celular e o fone de ouvido e fiquei ouvindo música.
No meu ouvido Nato Aguiar com a Cigarra, o Imaginário sempre com uma pergunta...Onde Andará o meu amor? Enquanto  Nilson Chaves ficava Olhando Belém, Jane Duboc e Sebastião Tapajós cantavam  o Tempo de Amar, e Simone Almeida falava do meu Grande Amor,  Maria Gadú finalizava com a deliciosa  Ne Me Quitte Pás...
Ai pai, enquanto ouvia todas essas músicas lindas veio uma saudade imensa de você. Em cada pensamento seu sorriso, sua alegria e até mesmo sua presença ali tão forte e presente.
Sabe, para você entender um pouco do que estou vivendo deixa eu lhe contar...
No ano passado, coloquei na cabeça que iria prestar o exame do Enem, um tipo de teste promovido pelo Governo como forma de inserir as pessoas no ensino superior. Sempre ouvia falar nesse exame  mas nunca tinha tido a iniciativa de me inscrever. Mas o ano passado senti vontade de prestar  o Enem, então, fiz minha inscrição e realizei as provas. E olha,  que até não me sai tão mal. O detalhe nisso tudo é que foi criada uma nova Universidade aqui em Santarém a UFOPA Universidade Federal do Oeste do Pará e que iria inserir um novo modo de seleção para ingressa no ensino superior, e esse novo método seria através das notas do Enem de 2009 e 2010.
Enfim, começa a chamada da UFOPA e meu nome não saiu, depois vem a segunda, a terceira, a quarta e nada... Mas de repente meu colegas de trabalho me chamam, no final de tarde, com a machinha do Pinduca e tudo.
 e divulgam meu nome na quinta lista.
A emoção foi tanta que nem sabia dizer nada. Fiquei assim sei lá como...
Enfim, meu nome estava na lista de uma Universidade Federal e não era mero sonho ou desejo, era realidade.
Puxa, pai! Você não sabe o quanto ficou feliz meu coração!!!
Ontem, fiz os procedimentos de  inscrição para o ingresso na Universidade Federal do Oeste do Pará.
Isso mesmo, pai, estou na Federal!!!Isso é maravilhoso!
Sou grata a Deus por esse momento!!
E isso gostaria de partilhar com você.
Você que tudo fazia por nós, mas que nos deixou tão cedo.
Em meus pensamentos, ontem a noite, fiquei imaginando como seria maravilhoso ter você do meu lado, no dia da minha formatura.
E com aquele sorriso orgulhoso me cobrindo de carinho!!
Ah, como seria maravilhoso!!
E em meio a essas lembranças viajei e acabei naufragada nas lágrimas da saudade por toda a falta que você me faz.
E perdida nas lembranças chorei, pai.
Chorei pela tristeza de não poder partilhar com você, esse momento tão importante da minha vida e que tanto você nos aconselhava a fazer, que era estudar.
E hoje, pai, depois de tantas tentativas de cursar uma faculdade particular, (sem muitas condições de pagar) sempre tendo que interromper. Mas agora pai, é diferente é uma Universidade Federal, por isso estou assim tão emocionada.
Sei que fisicamente, não tenho mais sua presença...
Mas dentro do meu coração você vai morar para sempre.
Por isso, hoje vim partilhar com você esse meu momento de felicidade!!
Desde que você se foi considero você um anjo em minha vida, sempre me guiando e iluminando meus passos, por isso sei que neste instante você está aqui, bem juntinho de mim.



Te Amo... Eternamente!


Torça sempre por mim


Um abraço, pai!!


Da sua filha



Socorro Carvalho ou Lia como você carinhosamente me chamava.

AS GRANDES MULHERES DA HISTÓRIA - OS SIGNIFICADOS DE MARIA MADALENA

O lugar de Maria Madalena desperta um intenso debate no interior do cristianismo.


Há muito tempo, Madalena é uma personagem que desperta as mais variadas questões de fé no interior do pensamento cristão. Em tempos medievais, ela poderia representar a mulher como um ser, cheio de pecados e que deveria se apoiar na fé para tentar se firmar contra os instintos de sua condição natural. Recentemente, a popularização dos textos apócrifos (não reconhecidos oficialmente) a colocam sob a perspectiva de uma companheira de Cristo que fora essencial para a disseminação do cristianismo

Ao contrário das várias outras Marias que aparecem na Bíblia, Madalena não tem seu nome vinculado a um marido ou pai. Contudo, o seu sobrenome, pode também remeter à prospera cidade comercial de Migdal, onde ela supostamente teria nascido. Ainda hoje, é possível encontrar um antigo letreiro nas ruinas dessa cidade que descreve essa enigmática mulher como uma serva de Cristo.

Paralelamente, o termo “Madalena” significa “torre” em aramaico. Em termos simbólicos, a torre é um lugar privilegiado, do qual se pode ter uma visão mais ampla das coisas. Coincidentemente, ela é a personagem da narrativa bíblica que percebe inicialmente que a sepultura de Cristo estava vazia ao terceiro dia. Em certa medida, essa primeira percepção salienta toda uma discussão que pretende circunscrever qual o papel dela na história do cristianismo.

Na coleção oficial dos livros bíblicos ela expõe um ideal de fragilidade e arrependimento, ao ser vinculada à imagem de uma prostituta que se arrepende da sua vida pregressa para seguir Jesus. Em seu primeiro encontro com o Messias, ela se livra de sete demônios que ocupavam seu corpo. Observando a recorrência do número sete, podemos ver que a sua salvação aglomerava o fim de uma obra (como o tempo de criação do mundo) e a libertação de todos os pecados (os sete pecados capitais).

Mais que uma humana arrependida, ela se coloca deste modo como uma mulher  completamente redimida e livre de qualquer espécie de pecado. Contudo, se existia a possibilidade dessa interpretação ter sido consolidada, ela acabou desaparecendo quando o papa Gregório Magno (540 - 604) e, seguidamente, os textos da Inquisição tiveram a função de colocá-la na vacilante posição de uma mulher que caminhou entre os tênues limites da salvação e do pecado.

Após a ascensão de Cristo, a imagem de Maria Madalena desaparece como a de uma mulher que não mais teria utilidade. Contudo, em uma passagem no livro de Romanos, o apóstolo Paulo salienta que, entre várias pregadoras do cristianismo, Maria teria feito “muito por vós”. Mesmo não especificando que Maria seria essa, vale lembrar que Madalena teria grandes possibilidades de atuar como pregadora na condição de mulher livre do matrimônio e nascida em uma movimentada cidade comercial.

Por meio desses indícios, a suposta veracidade dos textos apócrifos – especialmente do Evangelho de Felipe – ganham uma proporção incendiária. A dimensão de uma mulher livre e independente se potencializa com a figura da mais próxima seguidora de Cristo, que teria por ela um amor de dimensões carnal e espiritual. Apesar de polêmica e ativadora de várias interpretações atraentes, os indícios históricos não são suficientes para que ela seja firmada como a “esposa de Cristo”.

Devemos salientar que os textos apócrifos que sugerem o contato íntimo entre Cristo e Madalena também podem estar fazendo uma construção simbólica. As manifestações do corpo são comumente utilizadas como alegorias que exprimem a consumação de uma experiência espiritual superior. A própria descrição bíblica que relata que Jesus suou sangue pode, por exemplo, representar a agitação do Messias ao reconhecer a proximidade de seu destino no mundo.

Mediante a precariedade de um veredicto, vemos que a fragmentação de Madalena em outras imagens expõe a vivacidade que a experiência religiosa pode ter em nosso cotidiano. De um lado, a construção de uma Maria Madalena mais positiva reforça o valor cristão que há muito tempo salienta que “os últimos serão os primeiros”. Por outro, essa mesma imagem pode saciar as questões de um tempo presente, onde as mulheres ganham outro lugar na sociedade e a autoridade clerical já não é mais a mesma.

Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

AS GRANDES MULHERES DA HISTÓRIA - ANITA GARIBALDI



Anita Garibaldi quebrou os padrões de sua época ao se envolver na luta revolucionária.


Nascida na cidade catarinense de Laguna (SC), Ana Maria de Jesus Ribeiro da Silva teve uma origem familiar humilde combinada com uma boa educação. Seguindo os padrões da época, casou-se bastante jovem, aos 15 anos, com Manuel Duarte de Aguiar. No ano de 1837, já com o desenvolvimento da Revolução Farroupilha, ela teve a oportunidade e conhecer Giuseppe Garibaldi, um dos principais líderes do movimento que conquistara sua cidade natal.

Logo se mostrando apaixonada por Giuseppe, Ana Maria resolveu abandonar o seu infeliz matrimônio para que ao lado do revolucionário italiano marcasse a História com o nome de Anita Garibaldi. No tempo em que Laguna se transformou em sede do governo da República Juliana, que tomou Santa Catariana, Anita aprendeu a manusear espadas e armas de fogo. Em pouco tempo, a paixão pelo companheiro e os riscos da guerra se tornaram situações comuns à sua peculiar rotina.

Durante a Batalha de Curitibanos, Anita foi capturada pelas tropas que representavam o Império Brasileiro. Presa e grávida do seu primeiro filho, ela foi enganosamente informada que Garibaldi havia falecido nos campos de batalha. Inconformada e duvidosa sobre a informação, ela pediu aos oficias que a deixem procurar o marido entre os corpos. Nesse instante, desconfiando do que lhe fora dito, ela saltou em um cavalo e fugiu dos oficiais que a vigiavam.

Após atravessar um rio e passar alguns dias sem alimento, ela buscou refúgio entre alguns revolucionários. Poucos dias depois, Anita e Giuseppe se encontraram na cidade de Vacaria. Já em 1841, o casal seguiu para a cidade de Montevidéu, para apoiar outra revolta contra o ditador uruguaio Fructuoso Rivera. Após a participação nos conflitos, Anita foi enviada para a Itália, em 1847, para realizar os preparativos que receberiam o marido e uma tropa de mil homens que participariam das guerras de unificação da Itália.

Nesse novo conflito, o casal chegou até acidade de Roma, que havia sido posta como a capital da nova República Romana. Apesar da conquista, tiveram que enfrentar a opulência das forças franco-austríacas, e bateram em retirada nas ofensivas que marcaram a Batalha de Gianicolo. Acompanhados por, aproximadamente, quatro mil soldados, o casal de revolucionários ainda teve de suportar a pressão de outros exércitos contrários ao processo de unificação.

Quando atingiram a cidade de San Marino, a embaixada norte-americana ofereceu um salvo conduto que poderia tirar o casal daquela penosa situação de risco. Não aceitando o convite, por temer a desarticulação do processo de unificação, Anita e Giuseppe continuaram a sua fuga. A essa altura, esgotada pela quinta gravidez, a valente revolucionária ficou abatida ao enfrentar uma grave crise de febre tifoide. Não resistindo, Anita faleceu nas proximidades de Ravenna, em 4 de agosto de 1849.

Ferozmente perseguido pelos soldados austríacos, Garibaldi não teve sequer a oportunidade de acompanhar os cortejos fúnebres da esposa. Partindo para o exílio, o revolucionário italiano ficou dez anos fora da Itália. Somente em 1932, o corpo de Anita Garibaldi foi definitivamente transferido para a colina de Janiculo, localizada na porção ocidental da cidade de Roma.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

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