terça-feira, maio 29, 2012

TERRA INDÍGENA YANOMAMI: 20 ANOS DE LUTA, CONQUISTA E RESISTÊNCIA


         Os guerreiros da imensa floresta amazônica, os povos indígenas yanomami, comemoraram, no dia 25 de maio, 20 anos de homologação da Terra Indígena Yanomami. A comemoração vem marcar os 20 anos de luta, conquista e resistência de um povo indígena, habitante da maior terra indígena já homologada no Brasil, com mais de nove milhões de hectares, por meio do Decreto s/n de 25 de maio de 1992.

         O momento simbólico fez parte da programação do Encontro Regional da Hutukara Associação Yanomami (HAY), realizado no período de 22 a 25 de maio, na Aldeia Novo Demini, Terra Indígena Yanomami, compreendida entre os estados de Roraima e Amazonas. Participaram do evento mais de 600 índios, de diversas Aldeias da região, com a presença de representantes da Coordenação Regional da FUNAI de Boa Vista/RR, Coordenação da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami Ye’kuana (FPEYY) e Secretaria Especial da Saúde Indígena (SESAI). 



O Encontro teve como objetivo discutir assuntos como saúde, educação e proteção territorial. Na ocasião, no dia 25, houve um espaço dedicado aos 20 anos de homologação do território tradicional, com os líderes indígenas, Davi Kopenawa, Levi Yanomami e Geraldo Yanomami, que tiveram participação histórica na luta em favor da demarcação e homologação da Terra Indígena Yanomami. O evento oficial dos 20 anos está sendo organizado para o mês de outubro deste ano. 

          Com a presença de adultos, jovens e crianças no Encontro, as lideranças indígenas apresentaram um breve histórico de todo o processo de luta pela demarcação, que foi marcada pelo sofrimento, mortes, invasões e conflitos entre índios e garimpeiros. Além da ausência do Estado Brasileiro, que a princípio foi omisso às questões dos povos indígenas Yanomami.





         O líder Davi Kopenawa, conhecido mundialmente pela luta que sempre travou em defesa do seu povo, recordou que a emblemática luta, iniciada na década de 80, perpetua-se principalmente em defesa da preservação da floresta e da vida do povo yanomami. Lembrou do grande protetor e guerreiro da floresta, Chico Mendes, sendo um parceiro, um amigo que sempre esteve junto dos povos indígenas yanomami. Um guerreiro que foi perseguido e morto, porque defendia a floresta dos invasores (garimpeiros, pescadores, madeireiros e outros).

         Uma árdua luta, que a princípio foi amparada pela Organização das Nações Unidas (ONU), que ao contrário do Estado Brasileiro, reconheceu e teve a iniciativa de prestar apoio aos yanomami, iniciando-se assim, uma das maiores lutas pela demarcação e homologação territorial indígena do Brasil.
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A homologação da TI Yanomami foi a primeira e principal conquista dos povos da floresta que consequentemente buscaram o reconhecimento, junto ao Estado brasileiro, o direito pela preservação e proteção do seu território, que mesmo homologado, continua sendo alvo de garimpeiros que insistem em permanecer no território cultural e tradicional. Além desse direito, os índios yanomami reivindicam saúde de qualidade, educação diferenciada, um modelo próprio educacional e principalmente o respeito à valorização da cultura e tradição yanomami. 

         Neste sentido, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), por meio da unidade regional de Boa Vista/RR e da FPEYY, planeja e executa ações voltadas para o melhor atendimento das reivindicações dos yanomami. Ações construídas de forma coletiva com os índios yanomami e parceiros, nas áreas de etnodesenvolvimento, educação, saúde e principalmente de proteção territorial.

       O Coordenador Regional de Boa Vista/RR, André dos Santos Vasconcelos, destacou o compromisso da unidade institucional em buscar alternativas para a melhoria da qualidade de vida dos yanomami, considerando que para alcançar tal objetivo é necessário que os próprios indígenas participem, juntamente com os demais órgãos federais, responsáveis pelas diversas demandas que envolvem as questões indígenas.
João Batista Catalano, Coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomamo Ye`kuana (FPEYY), reforçou o compromisso da instituição em intensificar cada vez mais as ações de proteção territorial, sustentabilidade, valorização e preservação da cultura yanomami, sendo esses um dos objetivos dessa nova instância da FUNAI.  
                
O evento foi encerrado, com uma grande festa cultural, danças e cantos tradicionais, um gesto de união e fortalecimento dos povos yanomami, que mesmo diante a tantos desafios, continuam firmes e fortes na certeza de que poderão viver e usufruir os seus costumes e tradições, conforme o artigo 231 da Constituição Federal, com respeito e dignidade, atingindo mais 20 anos de luta, conquista e resistência, como verdadeiros donos da imensa floresta amazônica. 

Por: Mayra Celina Wapichana
Coordenação Regional - Boa Vista/RR



O AMBIENTE


Conta uma popular lenda do Oriente, que um jovem chegou à beira de um oásis, junto a um povoado e, 
aproximando-se de um velho, perguntou-lhe:

- Que tipo de pessoas vive neste lugar?

- Que tipo de pessoas vive no lugar de onde você vem? - perguntou por sua vez o ancião.

- Oh! Um grupo de egoístas e malvados - replicou-lhe o rapaz.
- Estou satisfeito por ter saído de lá.

E o velho replicou: - a mesma coisa você haverá de encontrar por aqui.

No mesmo dia, um outro jovem se acercou do oásis para beber água e vendo o ancião perguntou-lhe:
- Que tipo de pessoas vive por aqui?

O velho respondeu com a mesma pergunta:
- Que tipo de pessoas vive no lugar de onde você vem?

O rapaz respondeu:

- Um magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas, hospitaleiras. }
Fiquei muito triste por ter de deixá-las.

- O mesmo encontrará por aqui - respondeu o ancião.

Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao velho:
- Como é possível dar respostas tão diferentes à mesma pergunta?

Ao que o velho respondeu:

- Cada um carrega no seu coração o meio ambiente em que vive. Aquele que nada encontrou de bom nos lugares por onde passou, não poderá encontrar outra coisa por aqui. Aquele que encontrou amigos ali, também os encontrará aqui. Somos todos viajantes no tempo. O futuro de cada um está escrito no seu próprio passado. Ou seja, cada um encontra na vida exatamente aquilo que traz dentro de si mesmo. O ambiente, o presente e o futuro somos nós que criamos e isso só depende de nós mesmos.


Autor desconhecido


PEC DO TRABALHO ESCRAVO E COTAS SÃO DESTAQUES EM SESSÃO DE HOMENAGEM À LEI ÁUREA



A homenagem do Senado aos 124 anos da Abolição da Escravatura, ontem, foi marcada pela defesa das cotas para negros em universidades e da aprovação da PEC do Trabalho Escravo, proposta que permite a expropriação da propriedade onde for descoberta essa atividade.
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse que é um equívoco afirmar que o objetivo das cotas é apenas beneficiar os negros:
— É [instituir as cotas] uma tarefa patriótica: fazer com que a cara da elite brasileira não seja apenas branca, mas tenha também as cores dos outros grupos étnicos e raciais.
Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, Paulo Paim (PT-RS) informou que o projeto que insere na lei o direito às cotas pode ser votado na semana que vem pelo Plenário do Senado. Se for aprovado, o texto dará mais força à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciada em abril, de considerar as cotas constitucionais.
A PEC do Trabalho Escravo foi aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada. Como voltará a ser examinada no Senado, Cristovam e Paim fizeram um apelo para que a matéria seja aprovada rapidamente, antes do recesso parlamentar de julho.
Segundo Cristovam, será a oportunidade de o Senado “completar uma lei [a Lei Áurea] que ainda não está completa”.
Apesar de ressaltarem a importância da Lei Áurea, os participantes da sessão reiteraram que a Abolição é um processo ainda incompleto.
O presidente do Senado, José Sarney, assinalou que “se não há segregação racial no país, a discriminação racial faz parte de nosso cotidiano, de forma mascarada, escondida e até inconsciente”.
— A exclusão da comunidade negra coincide em grande parte com a dos pobres.
Ao destacar o problema da exclusão socioeconômica, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), citou uma estimativa de que, nas cidades com mais de 500 mil habitantes, negros e pardos têm salários até três vezes menores que os dos brancos.
A sessão de ontem foi uma iniciativa do senador Cristovam Buarque e do deputado federal Domingos Dutra (PMDB-MA), que é presidente da Frente Parlamentar Mista pela Erradicação do Trabalho Escravo no Brasil.
Também participaram da homenagem a vice-presidente da Câmara dos Deputados, Rose de Freitas (PMDB-ES); Mário Theodoro, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República; Marcelo Aguiar, do Ministério do Trabalho e Emprego; Josefina dos Santos, da Secretaria Especial da Promoção da Igualdade Racial do Governo do Distrito Federal; Ione Maria de Carvalho, do Ministério da Cultura; e Nilton Nascimento, presidente da ONG Negro em Movimento.
Jornal do Senado

SABEDORIA INDÍGENA...



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