sexta-feira, outubro 05, 2012

LINDO TAPAJÓS,,.

 
 
 
 Tapajós,
Rio lindo e majestoso...
De longe,  te contemplo
Com olhos marejados de tristeza.
Dentro do meu peito,
Um desejo de banhar-me
Em teu leito...
Teus mistérios me confundem
Em cada por do sol
Que agasalhas  segredos e  histórias .
Rastros de  melancolia.
O banzeiro de tuas águas
De  ti me distanciam.

Em tuas águas me apeteço,
Um mergulho.
No espelho refletido
Vejo teu olhar de agonia.

Meus olhos embaçam,
Embaraçam-se as respostas que preciso esconder.
Passam-se os minutos, as horas, os dias
Apenas essa ausência  se petrifica
Aqui dentro do meu ser.
Rio bonito
Segredo do meu querer.

De longe, permaneço  a te contemplar...
Na maresia  exuberante você passa
Espargindo   fragrância
Como  raro perfume,
Minha essência preferida.

Impregnado no vento.
seu cheiro é poema
Incenso que aromatiza
Meus sentidos e pensamentos.
Sinto sede,
Devoro  teu cheiro,
Embriago-me , em êxtase adormeço
Aspirando   rimas
No corpo a saudade de molhar-me em teu leito.

O coração se contagia
Embala quimeras, desejos
Num  eterno banzeiro
Rebuliço  forte dentro do peito.

Diante de teus mistérios
Meu olhar irrequieto se perde em ti.
Impossível resistir.
Minhas lágrimas se misturam com  teu leito;
Na brisa que acaricia, inebria,
Eternos versos em poesia.
Meu rio inesgotável,
Exuberante e faceiro...
Lindo Tapajós!
O que existe em ti que tanto me fascina?
Os encantos do teu leito?
Ou o feitiço do teu cheiro?
Socorro Carvalho
 

SAUDADE


         Não tem nada mais dolorido que a saudade. Nem uma cólica renal dói tanto. Pedras nos rins ou na vesícula tem cura. No coração, nem sempre. Saudade é a presença constante da ausência. É tocar o vazio, é querer enfiar as próprias mãos no peito e arrancá-la dali. Saudade é a falta de ar e do cheiro do outro. É ter uma companhia constante da dor. É uma insônia diurna.
         Saudade é uma palavra tão bonita, exclusividade da língua portuguesa. Saudade nunca é boa, mas pode ser branda, desde que tenha uma validade. Saudade é um sentimento puro, filho do amor e irmão da vontade. Saudade gera impulso, nervosismo e ansiedade. Saudade é se consolar em fotos, é namorar o vinho, curtir a solidão. É assinar um compromisso com o vazio.
         Existe um lado bom na saudade, afinal a falta só existe quando algo já preencheu. A saudade nada mais é do que a materialização das lembranças. Deitar no travesseiro e sentir o perfume do shampoo dela; ligar a primeira estação do rádio no carro e tocar a música do romance; passar em frente ao restaurante que foi testemunha de tantos momentos importantes. Tudo isso dá uma saudade.

      Saudade de quem perdemos é doença incurável. Bom seria tomar uma pílula de esquecimento, mas não há remédios para o inesquecível. Para essa saudade só existe um antídoto: um novo olhar. Ninguém resiste àquele encantamento inicial, dos primeiros dias. Quando isso acontece, estamos matando a saudade de nós mesmos, de estarmos vivos mais uma vez.
         Saudade de quem temos, mas está longe, é a melhor e a pior saudade. É amor virtual, sexo dos anjos, paixão platônica correspondida. O telefonema alivia, o desligar angustia. A foto emociona e as lágrimas são indecisas, deixam os olhos com um sorriso na identidade, mas tocam a barba em gotas de tristeza. A noite é uma inevitável inimiga. O relógio, um terrível adversário. O amanhecer, um amigo sincero, de que mais um dia passou e outro está recomeçando.
         A saudade diária é a saudade dos sonhos. Quando se ama, dá saudade até mesmo no abraço, na cama, na convivência. A saudade não está apenas na distância. Ter saudade é não querer se afastar. É o medo do Adeus. É apertar o outro contra si, tentando acalmar o coração. Sentir saudade é estar vivo, é amar demais. Saudade não morre. Saudade se mata.
 Blog do Chico Garcia                                  

AMOR BANDIDO



Amor bandido é crime inafiançável. É prisão do ventre. Desenha algemas invisíveis nos pulsos e na alma. Ele tem tudo que você sonhou, mas age enquanto você dorme. Você brada para o espelho centenas de vezes que nunca mais vai procurá-lo. No minuto seguinte toca o telefone e você atende na primeira chamada. Ele é o titereiro e você o fantoche. Você não tem outro assunto com as amigas e briga com elas quando falam mal dele. Elas e a sua mãe. Você pode contar tudo que ele faz, mas não aceita a crítica, é como se estivessem ofendendo a sua honra e não a dele. É um caso patológico, de submissão escravocrata, sem carta de alforria ou despedida.
        E não por acaso você o persegue. Ninguém lhe tocou como ele. Basta um olhar e você tem vontade de arrancar suas roupas com o pensamento. Uma palavra no ouvido e os pelos da nuca criam vida no seu pescoço. Aquela voz grossa, aquele sorriso de um verdadeiro canalha, tão sincero na arte da sem-vergonhice, impossível de resistir. Nessa hora você nem tenta se libertar. Com os olhos fixados nele, você entrega em mãos o seu chicote virtual para receber as chibatadas desse amor selvagem. Amor bandido é o pecado da carne sem culpa cristã. É uma maldição consentida. Masoquismo compensador. É o melhor orgasmo.
 
        E por mais mentiras que faça, segredos que tenha ou traições que cometa, o sentimento é maior do que o orgulho. Maldito orgulho, que desaparece quando você mais precisa. Logo você que valoriza tanto a sua auto-estima. Pois ele é a única pessoa que escolhe o lado para deitar na cama, que usa o seu isqueiro preferido, que fuma no seu quarto, que dirige o seu carro, que invade a sua casa e o seu coração sem permissão alguma. Você nunca deixou alguém fazer o que ele faz. Mas ele pode. Ele tem poderes que você desconhece. Ele é a sua Kryptonita, super girl.
        Paradoxalmente esse amor louco te levou a lugares nunca vistos, inclusive dentro de você mesma. Ele te fez questionar dúvidas que você jamais teve e encontrar soluções para problemas que nunca existiram. Você descobriu um novo paladar, um novo olfato e como é perder os sentidos e todas as lágrimas por alguém. Você sofreu e mesmo ele te machucando muito, você não consegue odiá-lo. E faria tudo de novo, afinal você pode até sonhar com o mocinho, mas o seu desejo arde mesmo por morrer no braços de um verdadeiro, violento e voraz amor bandido.
  Blog do Chico Garcia

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