SOBRE O ESCRITOR E POETA DÉCIO PIGNATARI


O poeta e ensaísta foi um nos nomes mais importantes do concretismo, assim como os irmãos Haroldo e Augusto de Campos. Um dos marcos do movimento foi a revista Noigandres, do grupo de mesmo nome, editada pelo três nos anos 1950. Ele foi também semiólogo, ensaísta, professor e tradutor Pignatari nasceu em Jundiaí, em São Paulo, e publicou os primeiro poemas no final da década de 1940.

 Movimento vanguardista

O Concretismo surgiu em 1953 primeiro na música, depois na poesia, até chegar às artes plásticas. Em sua essência, defendia a racionalidade e rejeitava o expressionismo, a abstração lírica e aleatória. Basta observar as obras surgidas nesse período - não predominava o intimismo tampouco havia preocupação com o tema proposto, pois o objetivo era acabar com a distinção entre forma e conteúdo e, com isso, criar uma nova linguagem. A partir da década de 1960, outros poetas e músicos do movimento decidiram alargar os horizontes, incluindo temas sociais e criando novas tendências, como o neoconcretismo, o poema práxis.
                          

Pignatari foi um dos colaboradores do Suplemento Literário, caderno publicado pela primeira vez pelo Estado em 1956. Em 1969, o poeta foi um dos fundadores da Associação Internacional de Semiótica (AIS) e, em 1975, da Associação Brasileira de Semiótica (ABS).  "Décio Pignatari foi um dos artistas mais revolucionários e um dos pensadores mais incisivos que o Brasil já teve", escreveu, no Twitter, o diretor da Casa das Rosas, Frederico Barbosa. 

Como teórico da comunicação, Pignatari deixou importantes obras, como a tradução dos textos de Marshall McLuhan. Entre seus escritos, destaca-se o ensaio Informação, Linguagem e Comunicação, de 1968. Sua obra poética está reunida em Poesia Pois é Poesia (1977). Pignatari publicou traduções de Dante, Goethe e Shakespeare, entre outros, reunidas em Retrato do Amor quando Jovem (1990) e 231 poemas. Publicou também o volume de contos O Rosto da Memória (1988) e o romance Panteros (1992), além da obra para o teatro Céu de Lona. 

 Nos últimos anos, além de se dedicar à literatura infanto-juvenil - lançou Bili com Limão Verde na Mão (Cosac Naify), em 2010, Pignatari analisava a transformação da literatura por causa da  revolução   tecnológica.

                              

"O fim da literatura está encaixado em um tópico mais abrangente, que é a crise da arte", disse ele, em entrevista ao Estado, em 2010. "Na verdade, o fim propriamente não vai nunca acontecer. O que existe, hoje, é a palavra falada, na forma escrita."

Ele utilizava como exemplo as transformações do verso, que entrou em crise graças ao francês Stéphane Mallarmé (1842-1898), que trouxe para a poesia o radicalismo estrutural e racional de que ela precisava para se renovar. "Mas nem por isso o verso se extinguiu - apenas sofreu modificações", comentava Pignatari. "Quando se fala em fim de uma arte, na verdade, o certo é falar sobre sua transformação acelerada, como uma metamorfose apressada pela evolução tecnológica."

É o caso da forma de se narrar uma história, que sofreu abalos profundos com a publicação de Ulysses, de James Joyce, publicada em 1922. "A visão que se tinha do romance entrou em crise", observou o poeta. "Na verdade, já desde Gustave Flaubert e sua Madame Bovary o enredo perdeu sua relevância: afinal, não se trata apenas de um adultério que resulta em um suicídio, mas de uma escrita que se sobrepôs à trama."

O poeta, tradutor e ensaísta Décio Pignatari Pignatari morreu na manhã, do 2 de dezembro de 2012, aos 85 anos, no Hospital Universitário da USP. Onde estava internado desde do dia 30 de novembro de 2012, ele teve insuficiência respiratória e pneumonia aspitariva.

Fonte: O Estado de S. Paulo
 

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