quarta-feira, junho 19, 2013

Vi naquele líder uma luz e um exemplo capaz de mudar o mundo.

Em maio, trabalhei a disciplina Filosofia da Educação na turma de Pedagogia do PARFOR - UFOPA, Núcleo de Itaituba, Região do Tapajós, Oeste do Pará. No primeiro dia de aula, descobri que a maioria dos alunos eram professores na zona rural de Itaituba, Aveiro e Jacareacanga, em áreas garimpeiras, indígenas, ribeirinhas e que traziam experiências apaixonantes.

Dos trinta alunos, quatro eram Mundurukus que vivem nas aldeias Teles Pires, Piquiarana, Kaburuá e Anipiri - município de Jacareacanga. Minha atenção se voltou, de forma especial, para um indígena de 62 anos, professor e Cacique da Aldeia Anipiri: Bonifácio Munduruku. Ele, que construiu a primeira escola da aldeia e foi ali o primeiro professor, viajava mais de 600km até Itaituba para estudar, e, apesar da idade e da saúde frágil, transbordava entusiasmo com a busca de conhecimentos, que segundo ele, ajudaria a preparar o seu povo para enfrentar os desafios. Quanto mais eu o escutava, mais crescia meu respeito e minha admiração por ele e pelo seu povo. Vi naquele líder uma luz e um exemplo capaz de mudar o mundo.

No último dia de aula, ele escreveu: “Professora, gostei muito de você, do seu jeito de ser guerreira, uma índia branca, lutadora sem medo de nada. Você explica muito bem sua aula e estou levando boas aulas que aprendi na sua aula. Pena que foram poucos dias. Eu queria aprender mais. Boa Viagem. Do aluno Bonifácio Crixi Munduruku.’’

Hoje, recebi uma triste notícia. Cacique Bonifácio já não está entre nós.
Bom descanso, guerreiro! Você deixou marcas positivas no mundo.

Lucineide Pinheiro
Professora da UFOPA

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