domingo, outubro 13, 2013

A MAGIA DA VIDA...

Foto: Maria de Jesus - São Paulo
A magia da vida está em mais um dia,  que podemos acordar e nele  contemplar as dádivas da natureza. O  apreciar do nascer do sol. O respirar do aroma de mais um dia. O prazer de  saborear o frescor da água caindo sobre a pele.A alegria de encantar-se com a beleza do por do sol.

A magia está no sorriso da criança da mais humilde a mais rica, pois o encanto da criança é singular.

Magia é  poder ouvir o cantar dos pássaros , que em cada novo dia cantam espontâneos  sem  nenhuma gratificação. Nessa união de cantos transformam em sinfonia cada manhã.

A magia da vida está no sorriso que damos e recebemos das pessoas que gostamos. Pois  a magia é composta de pequenas coisas,  gestos simples e  está na beleza  das flores, no encanto  das crianças.

A magia está na paz que geramos com nossa presença  e  também  nos atos que edificamos para  que reine a harmonia entre as pessoas.

Até podemos dizer que a magia da vida está na saudade que sentimos, pois  nos dá a certeza de que somos capazes de construir sentimentos e afetos verdadeiros. Sentimentos que nos movem deixando-nos a certeza de que estamos vivos e somos capazes de amar. E magia maior que o amor, impossível existir.

A magia da vida está no trabalho que amamos, no café que partilhamos e nas boas gargalhadas que trocamos por nada.

A magia da vida está na música que ouvimos. Nos poemas que lemos, No olhar que colocamos em nossos olhos.  Olhar capaz de poder ler nos olhos de quem amamos, a força das entrelinhas da alma sem precisar palavras .

Enfim, a mágica  está em  viver a vida, cada dia,  com o mesmo encantamento e magia,  todos os dias...


Socorro Carvalho

EM DEFESA DOS NOSSOS DIREITOS COMO VOZ JUVENIL INDÍGENA

Sandro Flores me concedeu entrevista em Brasília - DF e já veiculamos no Para Ouvir e Aprender

Por muito tempo, nós jovens indígenas estivemos guardados da cultura não indígena. Nossas avós e nossos pais nunca nos deixaram falar em nome de nosso povo, mas, a partir dos anos 90 lideranças juvenis se levantaram. Os parentes conservadores proibiam a nossa ida e a nossa participação em grandes reuniões e assembleias. Lamentavelmente uma regra quebrada de nos proibirem e nos calarem diante das suas vozes altas e pensamentos ultrapassados e fora do contexto da realidade em que estavam vivendo.


“Amazônia, minha casa hoje, no futuro minha estada. A preservação das raças depende de mim e a destruição das matas precisamos defender” já dizia e defendia na 1ª Conferencia de Jovens Indígenas de Fronteira na cidade de Tabatinga-AM em 2005 aos 14 anos.  E quando voltei para o quarto um líder da minha etnia disse que eu não podia falar nada, porque ele estava lá para falar por nós. Me calei, mas depois sonhei com uma folha caindo no rio e duas arvores caídas com muitas crianças ensanguentadas, e numa noite com uma lua cheia alguém com os bichos da mata me falavam não cale, passe por esse igarapé estou contigo. Quando acordei disse ao meu tio avô que também participava da conferencia e ele com a voz baixa e calma me disse: “cante e escute o que você mesmo está fazendo”. No momento não entendi, mas depois numa discussão no meio da conferencia falavam que nós, a juventude, não tínhamos voz e deveríamos esperar as lideranças falarem por nós. Ai, não gostei do que falaram, fiquei calado, tímido mas criei coragem e pedir autorização para falar. Quase caio para trás quando chegou a minha vez, peguei o microfone e peguei meu violão e comecei a tocar... E quando comecei a cantar comecei a falar o que eu pensava como adolescente indígena, disse que era uma honra estar ali em meio a tantos líderes do meu povo e que com eles eu aprendo tudo todos os dias e o povo da selva pede a Deus todos os dias que nos proteja. Vi que ninguém falava nada, ficou um silencio danado, quando não ouvi nenhum barulho aproveitei a oportunidade e lancei a galera que eu pensava sobre a participação do jovem e qual era a importância do diálogo e da inteira promoção de todos nós jovens e adolescentes indígenas.


Quando terminei de falar cantei de novo... Sorri e chorei... Todos se levantaram e me aplaudiram... Chorei de novo, mas de alívio!


Minha infância, não tinha virado lenha, virou um começo pra mim mesmo. Hoje estou aqui reaprendendo e defendendo a natureza, os direitos indígenas e a voz da juventude indígena. Venha político, venha presidente, mas eu vou estar ali junto aos parentes multiplicando os nossos direitos. Cantando, dançando e gritando estarei lá mostrando a arte do índio e ensinando o não índio a respeitar a natureza, nossa mãe terra. Meu Rio Solimões só vai secar quando o último fio de cabelo branco do último índio morrer...

Esse é o Sandro Flores - Grande liderança indígena  da Etnia Ticuna


Saudações,
Sandro Flores Ticuna


Rede de Jovens Indígenas Comunicador@s do Alto Rio Solimões/AM

ENSINAR...

Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.


Paulo Freire

SR. ASTÉSIO OUVINTE E AMIGO DA RÁDIO RURAL - SAUDADES ETERNAS!!



Que o seu sofrimento aqui na terra durante a sua provação seja de fato e de prometido a entrada digna no reino dos céus. Astésio Bernardo Araújo foi nosso vizinho e muito conhecido nos rastros dos anos vividos no nosso querido bairro da Aldeia. Depois se tornou o representante dos documentos sofisticados da época na sua contabilidade. Só procurávamos Astésio, nos mais ou menos comprovantes documentais.

Quantas paradas em suas diversas casas de moradas para ouvir uma das suas predileções mais apaixonantes, dedilhar o seu amado violão e cantar uma das suas preferidas canções como: "Meu Dilema" ... Violão companheiro dileto/és meu único afeto/tudo que me restou/meu violão, meu amigo/nem ela nos separou/... Teve sua história de vida ao lado da Guerreira, mulher de verdade, Sérgia Correa. Inseparável esposa, amiga, companheira, enfermeira, irmã mãe, tudo que ele precisasse nos seus momentos mais difíceis era sempre ela ao seu lado. Cenas de uma mulher que nasceu para amar o seu próximo qualificado.

 Astésio era apaixonado por serestas e Sérgia uma cancioneira de primeira. Os dois se juntavam e acompanhavam o elenco da Rádio Rural em mais uma seresta no interior. Pasmem! Astésio já não se locomovia sozinho, e a mulher guerreira até carregava o seu eterno amado para satisfazê-lo naquilo que mais amava.

Deus já recebeu o seu filho Astésio e Sérgia receberá todas as honras do que fez e faz pelo ser humano aqui na terra por Deus nosso Senhor.


Nossas condolências a toda família. Astésio partiu para Deus SEXTA feira11/10,aos 78 anos de idade. Ficaram órfãos de pai, 06 filhos e 2 filhas. Nada poderá nos abalar, nada poderá nos derrotar, pois nossa força e vitória, tem um nome é JESUS... Raimundo e Família


Aproveito o texto de Raimundo Gonçalves para registrar o falecimento do sr. Astésio Bernardo Araújo. Sem dúvidas que perdemos um ouvinte assíduo e amigo da Rádio Rural. Uma pessoa muito bem lembrada pela presença constante, em especial,  nas serestas da Rádio nas noites de sábado. Nossos sentimentos de pesar e nosso abraço á dona Sérgia, esposa de sr Astésio. Só nos resta pedir a Deus que conforte os corações de todos os membros da família desse pai, esposo, avô e ser humano inesquecível e que uma lacuna entre nossos seresteiros. Valeu  pela audiência seu Astésio!!! Descanse em paz!! 
Socorro Carvalho



 Para um grande seresteiro não poderia faltar Nelson Gonçalves!!

Naquela Mesa


Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã
Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída, não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim


Nelson Gonçalves



MARESIA DE SAUDADE...


O vento que passa tem aroma  e magia...
Perfume inesquecível, cheiro que inebria.


Nostalgia de uma tarde silenciosa e fria.
Penumbra, lembranças...

Maresia de saudade.


Socorro Carvalho


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