domingo, outubro 13, 2013

EM DEFESA DOS NOSSOS DIREITOS COMO VOZ JUVENIL INDÍGENA

Sandro Flores me concedeu entrevista em Brasília - DF e já veiculamos no Para Ouvir e Aprender

Por muito tempo, nós jovens indígenas estivemos guardados da cultura não indígena. Nossas avós e nossos pais nunca nos deixaram falar em nome de nosso povo, mas, a partir dos anos 90 lideranças juvenis se levantaram. Os parentes conservadores proibiam a nossa ida e a nossa participação em grandes reuniões e assembleias. Lamentavelmente uma regra quebrada de nos proibirem e nos calarem diante das suas vozes altas e pensamentos ultrapassados e fora do contexto da realidade em que estavam vivendo.


“Amazônia, minha casa hoje, no futuro minha estada. A preservação das raças depende de mim e a destruição das matas precisamos defender” já dizia e defendia na 1ª Conferencia de Jovens Indígenas de Fronteira na cidade de Tabatinga-AM em 2005 aos 14 anos.  E quando voltei para o quarto um líder da minha etnia disse que eu não podia falar nada, porque ele estava lá para falar por nós. Me calei, mas depois sonhei com uma folha caindo no rio e duas arvores caídas com muitas crianças ensanguentadas, e numa noite com uma lua cheia alguém com os bichos da mata me falavam não cale, passe por esse igarapé estou contigo. Quando acordei disse ao meu tio avô que também participava da conferencia e ele com a voz baixa e calma me disse: “cante e escute o que você mesmo está fazendo”. No momento não entendi, mas depois numa discussão no meio da conferencia falavam que nós, a juventude, não tínhamos voz e deveríamos esperar as lideranças falarem por nós. Ai, não gostei do que falaram, fiquei calado, tímido mas criei coragem e pedir autorização para falar. Quase caio para trás quando chegou a minha vez, peguei o microfone e peguei meu violão e comecei a tocar... E quando comecei a cantar comecei a falar o que eu pensava como adolescente indígena, disse que era uma honra estar ali em meio a tantos líderes do meu povo e que com eles eu aprendo tudo todos os dias e o povo da selva pede a Deus todos os dias que nos proteja. Vi que ninguém falava nada, ficou um silencio danado, quando não ouvi nenhum barulho aproveitei a oportunidade e lancei a galera que eu pensava sobre a participação do jovem e qual era a importância do diálogo e da inteira promoção de todos nós jovens e adolescentes indígenas.


Quando terminei de falar cantei de novo... Sorri e chorei... Todos se levantaram e me aplaudiram... Chorei de novo, mas de alívio!


Minha infância, não tinha virado lenha, virou um começo pra mim mesmo. Hoje estou aqui reaprendendo e defendendo a natureza, os direitos indígenas e a voz da juventude indígena. Venha político, venha presidente, mas eu vou estar ali junto aos parentes multiplicando os nossos direitos. Cantando, dançando e gritando estarei lá mostrando a arte do índio e ensinando o não índio a respeitar a natureza, nossa mãe terra. Meu Rio Solimões só vai secar quando o último fio de cabelo branco do último índio morrer...

Esse é o Sandro Flores - Grande liderança indígena  da Etnia Ticuna


Saudações,
Sandro Flores Ticuna


Rede de Jovens Indígenas Comunicador@s do Alto Rio Solimões/AM

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