terça-feira, dezembro 02, 2014

DECIFRA - ME...


Vem encosta teu peito no meu e sente o pulsar do meu coração. Cola teu corpo ao meu num abraço gostoso sem hora para terminar. Vem, não demora. Minha espera é urgente. Preciso te encontrar. Vem ao meu encontro e traz no olhar certezas que perdi. Ando a tua procura. Nos lugares que passo meus olhos  não conseguem te encontrar. Por onde andas? Imagino tua companhia numa tarde especial de domingo ou mesmo num fim de tarde qualquer a contemplar o por sol. Vem ler meus versos e rimar minhas quimeras. Vem encher de loucura meus dias, com os delírios dos teus gemidos sem pressa, sem medo. Minhas mãos ansiosas imaginam tua pele quente entre carícias atrevidas. Quero o dedilhar de tuas mãos descobrindo meus mistérios e em meu corpo te sentir tocar tua canção preferida. Vem na calada da noite ou no ruído do alvorecer, mas vem silenciosamente,  não faça alarde para que eu não me assuste com tua presença enigmática. Abra a porta devagar e vem se aconchegar aqui em meu peito. Não tenha medo, venha  ao meu encontro. Preciso te encontrar, te conhecer. Há tanto tempo tenho te procurado, mas não sei onde estais. Vem. Quero ser teu mistério e tua inesquecível loucura. Não demora. Vem e decifra-me... Antes que minha tentativa de te buscar desista de te  encontrar.


Socorro Carvalho

CONFUSO SENTIMENTO...


No pensamento, indagações sem respostas, numa ânsia que não consigo explicar. Olho ao meu redor e a inspiração se cala, se omite, silencia... Há em  meu coração um verso inacabado, um sentimento oscilando entre os desvarios da poética.


Reviro lembranças e num vazio de recordações surge uma doce saudade. Saudade de momentos vividos, palavras ditas, frases escritas, sentimentos verdadeiros e paisagens inesquecíveis.


No peito, um coração palpitante  se perde no ritmo acelerado de um pulsar sem concordância. Não há poesia em meu olhar. Apenas rascunhos na lixeira. Enquanto em meu peito um vácuo que já nem sei como  preencher. Em meu olhar, tudo aparece em preto e branco, as cores se perderam num emaranhado de miragens de imagens indefinidas.

Tudo silencia e cada ruído vem atônito como uma explosão de fogos e artifícios. Agonizando os sentidos, outrora, tão sensíveis. O verso calado fica arredio se perdeu da rima. Num completo abandono de gestos escondidos sentimentos  mutilados.  Sobre a mesa da sala está um vaso sem vida, sem flores, sem colorido.

Cá no peito uma inquietação sem medida. Perco-me no tempo. Imersa em recordações navego emoções,  que já não produz banzeiro. E num remanso calmo e lento, meu navegar é  um remar  contra o vento.

No corpo, outrora em chama, descansa um vulcão quase esquecido. Uma chama  sem a alegria da carícia e o calor do desejo. Está simplesmente fria e sem vida. Minha boca,  de tantas balbucias e murmúrios,  já não encontra palavras e a sede de amar se mistura com  a  melancolia.

Ainda há frases a serem ditas,  escritas talvez, mas na amplidão de dizer muito, o silencio já rouba a disposição da voz, e nada mais consigo  dizer. Fecho os olhos e sinto-me transportar na inconstância e  incoerência desse monótono viver ... Confuso sentimento a me enlouquecer.  


Socorro Carvalho 

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