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Mostrando postagens de Novembro 29, 2015

NÃO SEI QUANTAS ALMAS TENHO

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Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei. De tanto ser, só tenho alma. Quem tem alma não tem calma. Quem vê é só o que vê, Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo, Torno-me eles e não eu. Cada meu sonho ou desejo É do que nasce e não meu. Sou minha própria paisagem; Assisto à minha passagem, Diverso, móbil e só, Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo      Como páginas, meu ser. O que segue não prevendo, O que passou a esquecer. Noto à margem do que li O que julguei que senti. Releio e digo: “Fui eu?” Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa

O DIAGNÓSTICO E A TERAPÊUTICA

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O amor é uma das doenças mais bravas e contagiosas.Qualquer um econhece os doentes dessa doença. Fundas olheiras delatam que jamais dormimos, despertos noite após noite pelos abraços, ou pela ausência de abraços, e padecemos febres devastadoras e sentimos uma irresistível necessidade de dizer estupidezes. O amor pode ser provocado deixando cair um punhadinho de pó de me ame, como por descuido, no café ou na sopa ou na bebida. Pode ser provocado, mas não pode impedir. Não o impede nem a água benta, nem o pó de hóstia; tampouco o dente de alho, que nesse caso não serve para nada. O amor é surdo frente ao Verbo divino e ao esconjuro das bruxas. Não há decreto de governo que possa com ele, nem poção capaz de evitá-lo, embora as vivandeiras apregoem, nos mercados, infalíveis beberagens com garantia e tudo.
(do Livro dos Abraços, Eduardo Galeano)

AMOR

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Quero um amor alucinado, depravado, tarado. Amor inteiro, de corpo-a-corpo, enlaçados. Amor sem reserva, que a tudo se entrega, lancinante.
Quero você assim, abrasada, pedindo gozo, Eriçada, ronronando feito gata, tesuda. Seus seios túmidos, me furando o peito.
Quero você, pentelho contra pentelho, roçantes. Carne encravada na carne. Bocas coladas, Babadas, meladas, sangrando sufocadas.
Quero amar você tão bichalmente que urremos. Eu, penetrando rasgando. Você me comendo furiosa. Nós dois fundidos, unidos, soldados.
Você e eu, nós dois, sós, neste mundo dos outros.

Darcy Ribeiro

REALIDADE

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Em ti o meu olhar fez-se alvorada E a minha voz fez-se gorjeio de ninho... E a minha rubra boca apaixonada Teve a frescura pálida do linho...
Embriagou-me o teu beijo como um vinho Fulvo de Espanha, em taça cinzelada... E a minha cabeleira desatada Pôs a teus pés a sombra de um caminho...
Minhas pálpebras são cor de verbena, Eu tenho os olhos garços, sou morena, E para te encontrar foi que eu nasci...
Tens sido vida fora o meu desejo E agora, que te falo, que te vejo, Não sei se te encontrei... se te perdi...


Florbela Espanca

ESTIGMA

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Não receio que partas para longe, Que faças por fugir, por te livrares Da força da minha voz E da compreensão do meu olhar. Não temo que os mares te levem No bojo dos transatlânticos Nem tampouco me amedronta Que em possantes aviões No céu e na terra, Em todos os seres me encontrarás Cortes espaços sem conta. Serena ficarei se disseres Que na certa me olvidarás No ventre da mata virgem, Nas areias dos desertos Ou no amor de outras mulheres que terás. Não importa. Nada temo e desejo mesmo que o faças Para que saibas o quanto estou em teus sentidos E que a minha forma, o meu espírito Jamais da tua existência passa. Se fugires pelos mares Tu me veras na espuma leve da onda, Me sentiras no colorido de um peixe E a minha voz escutaras dentro de uma concha. Se partires pelos ares, Certamente na brancura de uma nuvem Tu sentirás a maciez e a alvura Das minhas carnes. Se fores para a floresta Hás de me ver Na árvore mais florida e harmoniosa Atravessando areias cálidas do deserto. Sei que trocarias o lenitivo de um oásis Pela…

CONTEMPLAÇÃO DOS ABISMOS

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navego pelo silêncio ao outro porto do lado distância que vai de mim ao outro rosto ancorado.
navego pelos abismos dissolvendo geografias ao longe, no fim da tarde exílio longo dos dias.

navegasse pelo abismo e tudo se acabaria.


Fernando Batinga de Mendonça

RECADO

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Entre os corpos, Entre os astros, Entre as estrelas... Sob o mar, Sob o azul, Sob o luar... Então, o amor. Então, o nascer. Então, o encontrar. Eu estarei eternamente A te embalar Em meus fictícios Versos a voar... Tua Nua A te esperar


Fátima Venutti

EU E VOCÊ FRENTE A FRENTE... É O MEDO...

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Eu e você frente a frente... É o medo e o desejo; É desconfiança e a esperança; É o grito e o silencio; É o gelo derretendo a mão no fogo... Eu e você frente a frente É ter sempre qeu me confrontar; Encarar meus erros e as minhas razões... As minhas verdades e as minhas ilusões; Meu poder e a minha impotência; A minha liberdade e os meus limites... Quando eu to na sua frente, Eu sinto toda a minha dor, Mas só na sua frente eu posso sentir todo o meu amor


Luiz Gasparetto

“UN AMOR”

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Quiero quererte tanto que hagamos que la palabra AMOR se quede pequeña. Un Amor que vaya de ti a mi y de mi a ti, y de los dos al infinito. Un Amor que te abrace con palabras y te acaricie con miradas, que cuando cierre los ojos en ellos te veas reflejada. Un Amor que nos haga grandes y a la vez pequeños, que solo una vida no bastase para expresarte lo que siento. Un Amor que nos haga libres y a la vez presos, donde yo me muera por ti y tú te mueras sin mis besos. Un Amor a nuestra imagen y semejanza, donde yo Siempre sea yo……… y tú Nunca dejes de ser tú

TRADUÇÃO
"um amor" Quero quererte tanto Que façamos com que a palavra amor Fique pequena. Um amor que vá De ti a minha E da minha para você, E dos dois ao infinito. Um amor que te abrace com palavras E você acaricie com olhares, Que quando fecho os olhos Neles você veja reflectida. Um amor que nos faça grandes E à vez pequenos, Que só uma vida não bastase Para utilizar o que sinto. Um amor que nos faça livres E à vez presos, Onde eu me morrer por você E você te mue…