ORFEU REBELDE

Alter do Chão - Santarém  do Tapajós

Orfeu rebelde, canto como sou:
Canto como um possesso
Que na casca do tempo, a canivete,
Gravasse a fúria de cada momento;
Canto, a ver se o meu canto compromete
a eternidade do meu sofrimento.


Outros felizes, sejam rouxinóis...
Eu ergo a voz assim, num desafio:
Que o céu e a terra, pedras conjugadas
Do moinho cruel que me tritura,
Saibam que há gritos como há nortadas,
Violências famintas de ternura.


Bicho instintivo que advinha a morte
No corpo dum poeta que a recusa,
Canto como quem usa
Os versos em legítima defesa.
Canto, sem perguntar à Musa
se o canto é de terror ou de beleza.
Miguel Torga (1907-1995)


Foto: Lucineide Pinheiro

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