quarta-feira, julho 13, 2011

A PARÁBOLA DO JOIO NO TRIGO


Neste mês de julho, estamos ouvindo aos domingos a série de parábolas inventadas por Jesus para falar às multidões sobre os mistérios do reino dos céus. Segundo São Mateus, Jesus “Nada lhes falava sem usar parábolas, para cumprir o que foi dito pelo profeta: ‘Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo’”. Também segundo profecias, se Jesus assim se comunicava não era só para ser mais bem entendido. Era para confundir os tolos, os que têm ouvidos e não ouvem, olhos e não vêem nem compreendem. Os que estão pouco ou nada interessados com as coisas de Deus, ou muito sensíveis às tentações do maligno, ou muito preocupados com problemas e desafios da vida, e que acabam perdendo a oportunidade de se deixarem tocar pela graça, de se converterem e inclusive serem curados pelo mestre. Ao contrário, aos que se aproximam para ouvir e compreender e, de fato, sentem o coração arder ao ouvi-lo, como os discípulos de Emaús, a estes Jesus deixa expandir seu divino coração para explicar-lhes o sentido de suas mensagens e das Escrituras.


No Evangelho de hoje, Mateus conta-nos mais três parábolas de Jesus: do joio e trigo, do grão de mostarda e do fermento na massa – Mt 13, 24-43.


Convido-o, prezado leitor, a considerar comigo a do joio no meio do trigo, que Jesus mesmo explica. Ele é o semeador que semeia a boa semente que, como ele diz, são os justos. O diabo, que vem à noite, é quem semeou no mesmo campo o joio, que são os que a ele pertencem, fazedores a outros de pecar e praticantes de todo mal. O campo é o mundo onde vivem bons e maus, justos e pecadores. O sábio agricultor, sem afobar-se, deixa crescer juntos trigo e joio até o momento da ceifa quando colherá o trigo sem perder grão algum e queimará o joio. Da sua parte, o bom Deus pacientemente espera até o juízo final para enviar seus anjos a fim de que façam a separação entre uns e outros: os bons serão levados ao céu e os maus, ao fogo.


Como bem sabemos, a mensagem de Jesus é bem clara. Está Ele a dizer-nos o quanto é importante e urgente a paciência e a tolerância. Ouvimo-lo dizer em outra ocasião que é na paciência que se conquista a vida: “nem um só cabelo de vossa cabeça se perderá. É pela paciência que mantereis vossas vidas” (Lc 21, 18-19). São Paulo ensina que a paciência é dom do Espírito (Gl 5,22), pede aos cristãos que se revistam dela (Cl 3,12) e afirma que ela gera a esperança que não decepciona (Rm 5,4-5). Em Provérbios, lemos que a paciência vale mais do que o heroísmo: “Mais vale um homem paciente do que um herói” (Pr 16,32). O Pai pacientemente espera pela volta do filho pródigo, na rotina de contemplar, dia a dia, o horizonte, desejando ansiosamente abraçá-lo, e alegrar-se porque o que estava perdido foi encontrado, o que estava morto vive. Como cantamos no Salmo 86: “O Senhor é bom, clemente e fiel, lento na cólera e rico em misericórdia”, podemos entender o que o Mestre está a nos ensinar hoje: “Deixem crescer juntos um e outro até a colheita”.


Como no passado também nós no presente corremos o risco da pressa, da ansiedade, da intolerância. Quem sabe até mesmo nós muito mais do que eles, neste momento em que vivemos sobremaneiramente apressados, em que tudo é para ontem e urge pular etapas. Por que tanta maldade no mundo e tantos maus entre nós? É a célebre pergunta de ontem e de hoje. Onde está o nosso Deus que parece não tomar providências? Além das catástrofes imprevisíveis e incontroláveis da natureza, está aqui e agora presentes a violência, a guerra, o ódio, o sofrimento inclusive de inocentes por causa dos maus.


Jesus, hoje, vem nos dizer mais uma vez: A realização de nossa vida se dá no tempo, acontece devagar à semelhança do plantio do trigal. Deus dá tempo a todos. Dos bons Ele espera que cresçam na sua santidade, pois é compassivo e paciente; dos maus, que se convertam, pois sua alegria é a salvação do pecador e não a sua morte. De todos nós, o Pai espera que, vivendo na paciência e tolerância, a sua graça produza em nós e para todos nós, santos e pecadores, frutos de conversão e vida em abundância.

Dom Caetano Ferrari
Bispo de Bauru - SP
Site da CNBB

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