sexta-feira, abril 13, 2012

O INTERIOR DA ALMA



O olho do espírito em parte nenhuma pode encontrar mais deslumbramentos,
nem mais trevas, do que no homem, nem fixar-se em coisa nenhuma,
que seja mais temível, complicada, misteriosa e infinita.
 Há um espectáculo mais solene do que o mar, é o céu;
e há outro mais solene do que o céu, é o interior da alma.
Fazer o poema da consciência humana, mas que não fosse senão a respeito de um só homem, e ainda nos homens o mais ínfimo, seria fundir todas as epopeias numa epopeia superior e definitiva.
 A consciência é o caos das quimeras, das ambições e das tentativas, o cadinho dos sonhos, o antro das ideias vergonhosas: é o pandemónio dos sofismas, é o campo de batalha das paixões.
 Penetrai, a certas horas, através da face lívida de um ser humano,
 e olhai por trás dela, olhai nessa alma, olhai nessa obscuridade.
Há ali, sob a superfície límpida do silêncio exterior,
combates de gigante como em Homero, brigas de dragões e hidras, e nuvens de fantasmas, como em Milton, espirais visionárias como em Dante.
Sombria coisa esse infinito que todo o homem em si abarca,
e pelo qual ele regula desesperado as vontades do seu cérebro e as acções da sua vida!



Victor Hugo

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