A CIDADE DO POETA

                                                                                                   
Em livro autor paraense registra a memória de seu passado na cidade
Mesmo há 24 anos longe de Belém, a cidade nunca esteve tão presente na poesia de Age de Carvalho. Em seu mais recente livro, “Trans” (Cosac Naify, 2011), o autor paraense expurga o luto pela morte do amigo Max Martins (1926-2009) registrando as memórias de sua juventude na capital paraense.

“Você vivendo longe se sente até mais próximo da cidade que deixou para trás. Venho percebendo esse tema recorrente em minha poesia, sobretudo nos últimos anos. Logicamente eu me refiro a uma Belém muito particular. Amigos vão morrendo, a cidade vai se transformando. A Belém da minha poesia é essa que vivi intensamente”, conta o escritor que atualmente vive entre a ponte área Alemanha/ Áustria, países em que trabalha como designer gráfico.

Convivendo com outras culturas, falando outra língua, Age parece retornar com a saudade aguçada. Ele apresenta hoje uma leitura de seus poemas ao público paraense. Baseado em ‘Seleta’ (Paka-Tatu, 2004), antologia que reúne quatro de seus oito livros, o evento surgiu da necessidade de se reaproximar do público local.

“Seis anos se passaram desde minha última visita ao Brasil. Sinto falta do português falado, de escutar as palavras, a musicalidade da língua. Tanto que em todos esses anos morando fora, nunca compus em alemão, por exemplo. Essa experiência de recitar poemas em público eu já faço há 15 anos lá fora, com recitais bilíngues. A leitura em voz alta é sempre uma experiência ótima, traz uma carga dramática nova ao poema”, afirma.

VÍNCULO

Foi na década de 1980 que os dois poetas se conheceram. Age, com apenas 21 anos, ganhara a publicação de seu primeiro livro “Arquitetura dos Ossos” em um concurso organizado pela Semec, atual Secretaria de Estado de Cultura. Na solenidade de entrega do prêmio foi apresentado ao já veterano Max Martins.

Logo se juntou a um ilustre clube de artistas, escritores e intelectuais que frequentavam a casa de Benedito Nunes em discussões que seguiam madrugada adentro. “Nessa época existia uma imensa paixão por Belém. Era uma certa redescoberta da cidade com a abertura política, uma efervescência de ideias que até então estavam reprimidas. Veio a calhar que nesse período apareceram os primeiros projetos de revitalização da cidade, a gente passou a frequentar a Cidade Velha”, diz.

Sua literatura acaba dividida entre esses dois momentos de sua vida: sua vivência no Pará , em diálogo com figuras como o filósofo Benedito Nunes e o poeta Max Martins, e a experiência entre Alemanha e Áustria, na língua alemã.

“Para mim a poesia é uma espécie de extensão das coisas que eu vivo. Só que é uma forma muito mais sucinta, visceral e irritante de definir. Em alemão, a mesma plavra que define poesia pode ser usada para designar o ato de condensar, ou seja, resumir. É exatamente assim que eu a enxergo”, diz.

(Diário do Pará)



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