sábado, dezembro 01, 2012

SAUDADE SEM FIM...



O vento leve que toca minha pele
Tem a  carícia de suas mãos me tocando suave.
Em minha boca,  resquícios de saudade de beijar sua boca.
No ar,  sinto o cheiro bom,  do seu hálito.
Aroma de desejo,  que acordava meus instintos mais vadios.
Ainda está em minha pele a lembrança da sua língua.
Aquecendo com seu calor o frio dos meus segredos.
Lambendo suor, roçando mistérios, íntimos, loucos.
A ânsia do  sentir se despojando
Repousando  sob minha insaciável vontade de lhe possuir.
A mistura de sabores ainda está aqui.
O doce do seu corpo, descendo em minha língua.
Derramando-se por sobre meu corpo nu,
Aguçando as brenhas mais ardentes do meu regato íntimo.
Ai que saudade das labaredas do  seu corpo em chamas,
Ardendo de prazer, acendendo  seu gozo mais extravagante.
Minha pele sente falta do seu calor, do seu abraço.
Saudade da minha pele nua encostada na sua pele nua...
Saudade da malícia boa das suas mãos passeando em mim...
Saudade das suas palavras loucas invadindo  meus ouvidos
Rasgando os meus  pudores e se agasalhando em mim...
Saudade louca da sua boca... Que loucura sem fim.

Socorro Carvalho

INCONSTÂNCIA



As horas passam apressadas...
No meu peito aflito,  perguntas sem respostas.
Vazio e solidão se contrastam.
Saudade sem explicação.
Poema sem rima.
Verso sem inspiração.
Calo as respostas.
Escrevo coisas sem nexo.
Encontro pretextos para lembrar de você.
E quando vens faço tudo para esquecer.
Paranoia poética entre versos desconexos...
A poesia reclama, clama seu nome.
Veto a inspiração, rasgo os rascunhos.
Sobrevivo.
Invento e reinvento frases que jamais irei dizer.
Adormeço meus medos.
Paralelos  devaneios percorrem soltos
Nas páginas da minha escrita
Numa incerteza sem fim..

E na teimosia dessa loucura
Travada luta inversa com os  versos que me inspirou.
Sepulto as lembranças.
Implemento fuga para esquecer as  parafernálias  da saudade ...
Ah, constante pensar...
Impossível querer bem.
Preciso me libertar dessas amarras...
Inconstância.

Socorro Carvalho

OLHANDO A CHUVA


Hoje acordei com a chuva caindo lá fora,
parecia sonho, mas após dias tão quentes a chuva veio nos visitar,  como presente do Céu. 
Da janela,  vejo as flores sorrindo, o verde das plantas sem poeira e o jardim mais vivaz e florido.
 A chuva tem paisagem de vida, desperta saudade escondida e  nos traz lembranças antigas.  
 À  Terra,  a chuva é um bom sinal,  faz  a semente germinar é  muda  nascendo, árvore florando, fruto brotando.
 Ao poeta, a chuva é inspiração, poesia, poema em essência. Em cada pingo uma rima, o chão molhado tem aroma de fertilidade, vida.
O tempo fica frio, a temperatura agradável. 
Da janela continuo olhando... a paisagem linda que encanta meus olhos. 
No peito vestígios de saudades, não sei de quem. 
Ausência que consome , falta de abraço, corpo para preencher esse vazio. 
A chuva continua caindo, sem tempo para terminar.
 Enquanto eu cá em meu silêncio, sozinha, contemplo esse tempo nublado 
e sinto sair dos meus  poros esse  cheiro de poesia...
 Debruço-me sobre a janela e imagino você vindo, não sei quando, nem sei de onde...
 nem mesmo sei o seu nome. 
Estranha sensação,  na estranheza poética dessa realidade fria...
Sinto você bem próximo, já quase chegando.
Chuva fina caindo no chão, alimentando esperança em meu coração.
Da janela,   continuo olhando a chuva...
Numa espera sem explicação.


Socorro Carvalho

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