sábado, abril 29, 2017

SALVE SALVAÇÃO, A SALVAÇÃO...

Ainda não tinha ido ao conjunto residencial Salvação, em Santarém, mas nas últimas semanas já estive por lá, umas poucas vezes. Venho aqui, compartilhar uma delas. Vamos lá?!

No domingo (23), estive no residencial para visitar uma colega!! O caminho de ida, após meio dia, foi inspirador e de sol escaldante, mas isso não vem ao caso, havia prometido, então, segui rumo ao encontro marcado. De casa, até chegar a parada de ônibus, ainda tenho uma boa caminhada, mas pensando bem, nem tanto.

Caminhando e como sempre, contemplando a alegria de poder enxergar, caminhar, ouvir e sentir aquele calor, aquele sol radiante sobre essa cidade maravilhosa. Descendo a João XXIII, logo,  encontrei um rapaz com uma bebezinha no braço. A bebê, ao me ver ficou olhando em minha direção. Ao chegar bem perto, ela me abriu aquele sorrisão, lindo. Pirei de emoção. Receber o sorriso de uma criança é bom demais. Ela tem os olhos esverdeados e um sorriso angelical.  Foi lindo!! Aquela criança com aquele sorriso  me inspirou ainda mais. Indago o nome dela, “ Clara Sophia”!! Belo nome, pensei. Combinando com a dona, linda!!Mas preciso prosseguir, me despeço e continuo meu caminho.

Cheguei na parada, bem no trevo da Fernando Guilhon, lá sentando, um senhor e outras pessoas esperavam  a condução. Cumprimentei o senhor, que estava mais próximo,  e logo começamos a conversar. No breve bate papo, descobri que ele ia para o Pajuçara e que um carro , um dia, subiu a rampa lateral do viaduto, quase chegando na árvore. Enfim, falamos da falta de consciência e bom senso das pessoas tanto no trânsito quanto nos cuidados com a cidade, muito lixo espalhado no chão. Homem legal, de uma simplicidade, sem igual.  Papo vai , papo vem e lá veio o ônibus, levanto do banco, aceno  um breve tchau ao senhor e tomo meu destino. Sentada numa cadeira, na janela do ônibus, olhando tudo ao meu redor. Até observei atenta as três menininhas brigando pela cadeira da prioridade e dos lábios delas cada um, extremamente, vermelhos e rosa choque, bem vivo, para a idade delas. As vezes, acho que sou careta. Só penso, não tenho muita certeza. (risos) O ônibus continuava seu trajeto, enquanto, aqui e ali subia mais gente e gente!! Por um momento, cheguei até a  pensar que tinha apanhado o ônibus errado,  do Maracanã, só que não. Era o ônibus certo, ônibus do residencial Salvação.

O ônibus entra no conjunto e numa parada e outra os grupos de pessoas iam descendo e esvaziando o espaço. Era como se ir pra lá fosse uma boa diversão, um entretenimento. São amigos, parentes, madrinhas, afilhados etc. Cada um tinha seu motivo para estar lá, da mesma forma que eu, que a colega me esperava para almoçarmos. E, quando lá cheguei, almocei  carne assada, com arroz , maionese e farofa. Huuummm!! Comida deliciosa!! Depois um bom café, mais tarde um chopinho de chocolate e muita conversa enquanto Karla, carinhosamente, bordava uma fralda para o Heitor, filho da Vivi Batidão. Uma linda ação, por ser algo que vem do coração.

Enfim, assim foi o resto do meu  dia  na cassa da Karla Carvalho, que nada tem de parentesco comigo, só coincidência mesmo.  Mas deixa eu seguir contando sobre o meu domingo , no residencial Salvação...

Ao final do dia, não consegui ver o por do sol no céu,  nem mesmo o por do sol do Nilson Vieira, porque estava sem intenet. Porém, vi algo que encheu meus olhos de emoção e inspiração. Vi crianças brincando em todos os arredores. Bincando de bonecas, carrinhos, taco, andando de skate, velocípede , bicicleta etc. Na casa vizinha, a porta e o micro pátio, simplesmente, tomado de brinquedos derramados, enquanto eu , da janela de outra casa, apenas contemplava e contemplava, completamente, apaixonada. O vento bate frio, apesar do sol ardente que iluminou o dia inteiro.

Era hora de voltar...

Na hora de vir, como a provocar minha emoção, ao colocar os pés na rua,  um garotinho passa na minha frente e segue concentrado puxando  seu carrinho, com um fio amarrado. Muito lindo!! Lindo ver e saber que, ainda, há crianças brincando, nesse mundo de tantas abstrações tecnológicas.

Para apanhar o ônibus, Karla foi me deixar na parada. Escutamos o barulho dele vindo  e apressamos o passo para eu  o apanhar. Logo no meio da esquina, o coletivo para, enquanto motorista e cobrador  vão lá numa casa,  deliciarem um copo de suco e um salgado.
O ônibus, apesar de estar com uma boa lotação, não houve nenhum manifesto e todo mundo permaneceu esperando em silêncio.

De repente, alguém quebra o silêncio e ouço aquela vozinha cantando:
É, já tá ficando chato, né?
A enchesão de shaco, é
Pepala que eu já tô me pepalando
quanto chê  tá indo eu tô vôtando...
Decha, decha mermo de chê impotante
Vai dexando a gente pa outa hola
Vai tentar abrir a porta dexê amor
Quando eu tiver jogado a chave fola ...

Era sim a música da Marilia Mendonça que a garotinha cantava. Fiquei lá, boba e encantada, não com a música, claro, mas com a delicadeza daquela voz cantando o que a mídia reproduz e impõem, em nosso cotidiano.

Porém, foi maravilhoso ver a naturalidade do canto, sem se importar com quem estava no ônibus. E fiquei lá, sentada ouvindo e sorrindo. Imaginando que o canto daquele  “passarinho”  só serviu de calma a todos os passageiros que , tranquilamente, esperavam motorista e cobrador, para seguirmos viagem. Ninguém puxou o sinal, ninguém reclamou de nada. E, a dupla que, provavelmente, estaria no plantão daquele domingo teria ido  alimentar o estômago, para aguentar mais uma longa jornada. A viagem continuou até eu descer,  na minha parada na avenida Cuiabá, assim, encerrando  meu domingo  iluminado.

Para quem fala tão mal daquele lugar, quero dizer que por lá: criança ainda brinca com os coleguinhas; brinca de carrinho e boneca ; brinca de taco na rua asfaltada e sem carros. Lá o fim da tarde é privilegiado e  bate um vento frio delicioso, que vem refrescar o calor e saudar a noite. E as pessoas, ainda, podem se reunir em frente de casa para distrair ou mesmo para  um bom bate papo.

Realmente, tudo a ver o nome salvação, pois é o que aquela morada significa para muita gente. Salvação do aluguel que antes pagava. Salvação da vida humilhada de viver em casa compartilhada. Salvação , salvação de muitas coisas,  de muitas despesas. Salvação de muitas pessoas...

As casas são todas iguais, porém, cada uma é arrumada de um jeito especial. E,  certamente, para cada dono(a)  é um refúgio, sem igual.

Problemas? Têm muitos e muitos, da mesma forma que têm toda a cidade de Santarém. 

Uma coisa não se pode esquecer, por lá, tem muita gente boa, gente do bem, gente de Santarém.  Salve o Salvação!! Salve Santarém!!



Socorro Carvalho
Foto: Karla Carvalho 

Um comentário:

  1. Que viagem dentro de nossa querida Santarém, bem aculá no residencial salvacao ...
    Parabéns!!!

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Agradeço sua visita, com breve retorno!! Seu comentário vem somar mais versos em minhas inspirações... grande abraço. Se quiser pode escrever diretamente para o meu email: socorrosantarem@gmail.com

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