MAIS ARGUMENTOS PARA O ESTADO DO TAPAJÓS



A discussão sobre a divisão do Pará e a criação dos Estados do Tapajós e Carajás, já despertou todo tipo de animosidade, mas mesmo assim, ela permanece distante da compreensão dos movimentos populares e da população de modo geral.

É um debate que segue restrito à academia e as “elites politico empresariais”, ainda basicamente “engessado” na questão de uma suposta “viabilidade econômica”, o tema preferido das oligarquias anti separatistas para negar a necessidade da redivisão territorial do Pará.

Mas com o Plebiscito já batendo as nossas portas, torna-se urgente tirar essa discussão do “economicismo” dos círculos políticos empresarias, para finalmente descer ao nível que interessa de verdade: o povo, que em ultima analise, é quem irá decidir.
Portanto torna-se fundamental nos municionarmos melhor com argumentos e sentimentos que saibam alimentar adequadamente mentes e corações do povo tapajônico. Hora de redescobrir e trabalhar os conceitos que originaram os sentimentos separatistas do Tapajós, principalmente temas como o da Identidade social e o sentido de pertencimento de um povo.

Na sua concepção originária, o termo Comunidade, indicava a seguinte conotação: “A totalidade de quem possui algo em comum”.

O elemento indispensável para a existência de uma Comunidade é o sentido de pertencer ao território. Mas o território, por si só, não constitui a Comunidade. Ela só se caracteriza como tal, quando no território, existem grupos humanos que desenvolvem atividades e sentimentos comuns.
Ou seja, uma comunidade só existe quando pessoas e/ou populações interagem dentro de uma área geográfica definida, e desenvolvem entre elas, uma ou mais ligações suplementares.
É um sentimento de pertencimento (pertencer a algo significa fazer parte do todo), onde os confins territoriais pressupõem a existência do grupo e sua segurança emotiva frente ao externo. È o chamado senso de Identificação, ou seja, a sensação de estar no lugar certo, de ser aceito pelo outro e de se sacrificar pelo bem comum.

A existência histórica desses pressupostos na região tapajônica, legitimam, por si só, a reivindicação da autonomia politico administrativa por seus habitantes.
Por isso, a reivindicação no Tapajós do estabelecimento de um sistema territorial com confins administrativos definidos, no qual interagem indivíduos e grupos, com sua vida, suas necessidades, atividades e uso dos recursos disponíveis.
Mas porque num mundo globalizado, cujos confins tendem a desaparecer, acutizam-se cada vez mais sentimentos de identificação?
Analisando historicamente as diferentes formas de organização territorial, percebe-se que as mudanças mais marcantes são a dimensão territorial cada vez maior, ao lado das mudanças qualitativas.
Se a primeira forma de vida em comum foi a Aldeia, que vinculava os seus componentes por afinidades familiares e na tradição do cultivo da terra e da pequena criação. Já a vida na Cidade, representa um salto para a economia e uma organização social mais complexa.
Na comunidade tradicional, o sistema de relações (parentesco, amizades, trabalho), se desenvolve dentro de áreas geográficas restritas. O desenvolvimento urbano, pelo contrario, acrescenta as possibilidades interativas dos indivíduos e impulsiona relações sociais mais seletivas.
É na cidade onde as relações são mais especializadas, que percebemos a diferença entre a Comunidade e a Sociedade. Ainda mais nas Metrópoles, Estados, e Nações, cuja finalidade organizativa é o desenvolvimento das atividades econômicas em uma escala territorial ainda mais ampla.
Os aspectos negativos do crescimento da sociedade urbanizada, a concentração de sua organização politico administrativa em polos cada vez mais distantes, faz com que as pessoas percam o sentido de identidade, e venham a desenvolver uma reaproximação com os valores das comunidades locais.
A existência de movimentos para a criação de novos estados, de regionalização e municipalização, são manifestações universais que apontam para a descentralização do poder e uma maior participação das comunidades locais na vida politica de uma nação.
Ou seja, uma visão mais aprimorada da comunidade territorial, com a finalidade de atingir formas de integração, que garantam participação, autonomia e autogestão politico administrativa.
A reivindicação da criação do Estado do Tapajós representa tudo isso.
A região tapajônica já desenvolveu seus vínculos sociais econômicos e territoriais. Já viveu e experimentou, em sua própria pele, os aspectos negativos da Centralização Politica Administrativa com o Estado do Pará e sua capital Belém. Ou seja, já se tornou madura para a sua emancipação politico territorial.
Mas para alcançar a plenitude de sua emancipação, os tapajônicos terão que conquistar o Poder Politico, que só poderá se concretizar com a criação do Estado do Tapajós.
Aqui enfrentamos o outro “cavalo de batalha” dos anti separatistas, que parecem adorar a associação do poder politico com os aspectos moralmente piores e negativos. Quando se treta do poder dos outros, claro, pois do deles, não querem abrir mão.
Mas isso é falta de argumentos, papo furado, pois em qualquer sociedade existem políticos

que perseguem o poder por fins escusos (olhem o próprio Pará!).
Meus amigos, o Poder serve e é importante! Pois todas as mudanças (grandes e pequenas)
giram entorno da questão do poder.
Vote SIM à criação do Estado do Tapajós !

Tibério Alloggio
 Sociólogo



Fonte: Blog do Jeso

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