segunda-feira, maio 27, 2013

Tecnologia social precisa ser mais discutida pela imprensa


Foi esse um dos temas do 7º Encontro de Jornalistas - Amazônia, realizado em Manaus de 22 a 24 de maio.

Com baixo custo de implementação e alto potencial transformador, as tecnologias sociais oferecem soluções simples e práticas para problemas sociais enfrentados pela população. Devido a sua importância, o número dessas iniciativas, criadas a partir do saber popular, tem crescido no Brasil - só a Fundação Banco do Brasil já identificou e certificou 504 delas, que compõem, hoje, um banco de dados online disponível para consulta. No entanto, o assunto ainda é pouco explorado pelos meios de comunicação.

Esse foi um dos eixos norteadores de discussões entre jornalistas e convidados que participaram do 7º Encontro de Jornalistas - Amazônia. O evento reuniu, de 22 a 24 de maio, em Manaus, cerca de 100 profissionais de imprensa das regiões Centro-Oeste, Sudeste e, sobretudo, da Amazônia Legal, para debater a “Comunicação e Perspectivas do Desenvolvimento Sustentável”, tema central dessa edição, que discutiu, ainda, políticas públicas, inclusão socioprodutiva, educação, juventude, protagonismo social, desenvolvimento territorial sustentável na Amazônia, além da agenda social e a cobertura jornalística.

Os Encontros de Jornalistas são realizados há sete anos pela Fundação Banco do Brasil com o objetivo de promover a interação entre os profissionais de comunicação e a entidade na divulgação de soluções sociais criadas por comunidades e que ajudam a melhorar a vida das pessoas, gerando renda e promovendo a inclusão socioprodutiva. Nesta edição foram convidados nomes estratégicos para debater o assunto. “A discussão sobre o próprio desenvolvimento sustentável na Amazônia ainda passa muito pouco pela mídia. É preciso construir as pautas de tal maneira que chamem atenção desses veículos”, afirmou o palestrante Dal Marcondes, criador do Portal Envolverde, que cobre o assunto.


Para o presidente da Fundação Banco do Brasil, Jorge Streit, as tecnologias sociais também precisam ser mais exploradas pelos meios de comunicação. “O assunto começa a ser tratado em algumas esferas da sociedade que já se deram conta de que existe um modelo alternativo para solução de problemas. Nesse sentido, as tecnologias sociais são uma saída eficiente, fáceis de reaplicação e que podem, inclusive, se tornar políticas públicas”, afirmou.

É o caso das cisternas de placas que têm ajudado a minimizar os efeitos da seca e melhorado a vida das pessoas em algumas regiões do país, principalmente no Semiárido brasileiro. São reservatórios cilíndricos que captam a água da chuva no telhado das casas e enviam para as cisternas, garantindo água potável e melhorando a qualidade de vida. A técnica foi certificada como tecnologia social em 2001 pela Fundação Banco do Brasil.

“Buscamos identificar alternativas para problemas comuns, como esse da seca, que aliam o saber ancestral e o saber popular ao cientifico e ajudam a enfrentar problemas antigos e a transformar a vida das pessoas”, afirmou Jorge Streit durante o Encontro. Desde 2012, a Fundação Banco do Brasil e a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) integram o Programa Brasil Sem Miséria, do Governo Federal, para reaplicação da tecnologia. A parceria prevê a implantação de 60 mil cisternas em oito estados do Semiárido.



 Jornalistas conheceram soluções para problemas sociais

Para apresentar e incentivar a discussão e a produção de conteúdo sobre o desenvolvimento sustentável e as tecnologias sociais, os jornalistas tiveram a oportunidade de conhecer, in loco, duas iniciativas que têm melhorado a vida da população em regiões da Amazônia. A primeira foi a Meliponicultura, uma técnica de criação de abelhas sem ferrões em caixas, que, espalhadas por propriedades rurais ao redor de Manaus, ajudam a polinizar a floresta Amazônica e a melhorar, inclusive, a produção de alguns frutas, por exemplo.

Organizados em cooperativas, os produtores colhem, por ano, 40 litros de mel na região, volume ainda pequeno se comparado ao mel tradicional, vendido nos mercados locais. A técnica de captura e multiplicação de colônias da Meliponicultura foi certificada como tecnologia social em 2009. Atualmente, um projeto coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas, com o apoio do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), incentiva o uso da Meliponicultura na região. Os produtores querem aumentar a renda a partir da venda no comércio.

Já a segunda visita realizada pelo grupo foi em uma criação de peixes em canais de Igarapés, que permite manter os cardumes em pequenos canais, garantindo produção suficiente para suprir a necessidade anual de proteína e a geração de renda das famílias que utilizam o sistema. A técnica tem ajudado a despoluir os rios e foi certificada como tecnologia social em 2009.





Iniciativas serão premiadas

O Prêmio Fundação Banco do Brasil, principal mecanismo de identificação e certificação de tecnologias sociais da Fundação BB, tem inscrições abertas até 21 de junho. O prazo, que terminaria em 31 de maio, foi prorrogado durante o Encontro. Podem se inscrever instituições sem fins lucrativos, de direito público ou privado, que promovam e estimulem essas práticas. Serão premiadas iniciativas em cinco diferentes categorias: Comunidades Tradicionais, Agricultores Familiares e Assentados da Reforma Agrária; Juventude; Mulheres; Gestores Públicos; e Instituições de Ensino, Pesquisa e Universidades.

Os projetos vencedores receberão R$ 80 mil. Neste ano, a novidade é a premiação também para o segundo e terceiro colocados, em cada categoria (R$ 50 mil e R$ 30 mil, respectivamente). No total, serão destinados R$ 800 mil para aperfeiçoamento ou reaplicação da tecnologia social premiada. As tecnologias finalistas receberão, ainda, um ultrabook, além de troféu. Em seis edições, a Fundação BB já investiu R$ 2,4 milhões em premiações.
Elton Pacheco, Dalva de Oliveira e Calebe Pacheco
Assessoria de Imprensa FBB
Fotos: Arquivo FBB

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