domingo, fevereiro 24, 2013

NÃO?




Vi-te: em teu rosto voluptuoso e belo

O anjo formoso dos amores vi!

Amor ardente num olhar, num elo

Destes teus olhos divinais senti!



Vi-te: e prendeu o teu esbelto talhe

O mimo, a graça do teu corpo em flor.

E esses teus lábios como a flor de um baile

Que às auras murcham de festivo amor.



Vi-te: e eras minha ao meu olhar magnético

E te prendias a fugir de mim!

Fronte de lírios de um candor angélico

Em um perfume me darás um — sim!



Um sim de envolta àquele olhar ardente

Luz de teus olhos, divinal fulgor.

Um sim de envolta àquele rir demente

Reflexo d’alma a delirar de amor!



Um sim! E ao som do teu falar suave

À minha voz extinguirei o som

Onde gorjeia uma garganta de ave;

Que vale ao homem da palavra o dom?



Íntima frase que só nasce d’alma

Terei nos olhos p’ra dizer-t'o então

E em troca dela p’ra colher a palma

Do teu amor, anjo terrestre... não?



Toda poesia de Machado de Assis. Org. de Cláudio Murilo Leal.
Rio de Janeiro: Editora Record, 2008.



NAVALHA NA CARNE



A peça, de Plínio Marcos, se passa em um quarto de bordel, onde a prostituta Neusa Sueli, o cafetão Vado e o homossexual Veludo, empregado do estabelecimento, encarnam a existência subumana e marginalizada. A montagem, proibida pela Censura, na seqüência ganha repercussão no Rio de Janeiro, dirigida por Fauzi Arap e trazendo Tônia Carrero no papel feminino.

Retrato naturalista do submundo brasileiro em que as gírias, a violência das relações humanas, a situação opressora e a luta de cada personagem constroem um quadro cuja dramaticidade sobrevive ao tempo, Navalha na Carne é a obra mais encenada do dramaturgo, ao lado de Dois Perdidos Numa Noite Suja. A peça pode ser vista como metáfora dos mecanismos de poder entre as classes sociais brasileiras, uma vez que as personagens, embora pertençam ao mesmo extrato social, se dedicam a uma contínua disputa pelo domínio sobre o outro. Nessa disputa, as personagens vão da força física à chantagem pela autopiedade, da sedução à humilhação, da aliança provisória entre dois na tentativa de isolar o terceiro, mas a possibilidade de juntar suas forças para lutar contra a situação que os oprime nunca é cogitada.

A peça é levada a público em 1967, inicialmente, em parceria com George, texto de John Anthony West, no Centro de Estudos Teatrais que tem suas récitas na cobertura do apartamento de Cacilda Becker e Walmor Chagas, em São Paulo. O objetivo do "Centro" é divulgar, através de leituras dramáticas, originais brasileiros. Esta apresentação, porém, trata-se da encenação que, já pronta para estrear, é interditada pela Censura.

Cacilda e Walmor convidam o grupo para uma encenação em sua residência a fim de mostrar a peça aos críticos e intelectuais atuantes na cena teatral do momento. Após as apresentações dos textos, os presentes firmam um parecer, a ser encaminhado ao ministro da Justiça, Luiz Antonio da Gama e Silva, não só protestando contra a proibição da peça, como pedindo a sua liberação imediata, atendendo assim os compromissos do grupo.

A encenação paulista é realizada em setembro de 1967. Mas o texto chama a atenção na montagem carioca, em outubro do mesmo ano, encabeçada por Tônia Carrero. Ressalta o crítico Yan Michalski: "A impiedosa autenticidade psicológica dos personagens, a clareza da análise dos problemas da sua integração no subumano mundo em que vivem, a extrema densidade do clima, o virtuosismo do diálogo. (...) uma peça à qual se assiste com a respiração presa, e a cujo fascínio não escapa nem o público mais conservador, a priori menos disposto a enfrentar cara a cara a crueldade e a violência (...)".1

Fauzi Arap dirige o espetáculo obtendo o máximo de sintonia entre o texto e as idéias expressas pelas ações das personagens. Sem fazer concessões ao público, o diretor trabalha sobre a violência física, que explode da vida interior das personagens. Tônia Carrero dá à prostituta, por meio de uma construção detalhada e emocional, uma existência própria que, segundo os críticos da época, fazem esquecer a imagem bela e apolínea da atriz. Yan Michalski, considerando seu trabalho o mais sensível e completo de sua carreira, escreve: "Por mais que os grandes momentos dramáticos me tenham emocionado, a lembrança mais forte que guardarei do seu desempenho é a das suas cenas de segundo plano, quando, com gestos apenas esboçados ou com discretas reações fisionômicas, ela traduz a poética e atormentada alma de Neusa Sueli".2

Parcialmente censurada em 1967, a peça só retorna aos palcos montada na íntegra treze anos depois.

Notas

1. MICHALSKI, Yan. Reflexões sobre o teatro brasileiro no século XX. Rio de Janeiro: FUNARTE, 2005. p. 97.
 
2. Idem. p. 99.

Fonte: Site Itaú Cultura

DOADOR DE PROGRAMA DE APOIO AOS DEFICIENTES PODE TER MAIOR DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA

O Plenário aprovou nesta quarta-feira (20) a Medida Provisória 582/12, que amplia a desoneração da folha de pagamentos para diversos setores da economia. Esses setores serão beneficiados com a tributação da receita bruta em substituição às contribuições sociais para a Previdência. Os deputados também aprovaram um destaque que aumenta de 1% para 4% o limite de dedução do Imposto de Renda devido nas doações de pessoa física e jurídica para o Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica e o Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência.

Em Plenário, Romário (PSB-RJ) e outros parlamentares comemoraram a mudança. A emenda da deputada Carmen Zanotto (PPS-SC), garantirá mais recursos para o atendimento de pessoas que sofram com o câncer ou com alguma deficiência. “O Governo queria 1%, conseguimos 4%. Que vitória!”, comemorou o deputado carioca.

Na avaliação dos parlamentares, mesmo com a implementação das políticas públicas e os programas previstos, este suporte financeiro irá permitir a plena ampliação logística da estrutura de atendimento, só assim, haverá uma real melhora nos serviços prestados, tanto em alcance quanto em qualidade.           

A MP segue agora para apreciação do Senado Federal, onde precisa ser aprovada até o dia 28 próximo.


Fonte: Site do Deputado Romário

ROMÁRIO PEDE RETORNO DE INTERPRETES DE LIBRAS AO SENADO



O deputado federal Romário (PSB-RJ) pediu nesta quarta-feira (20) ao presidente do Senado, Renan Calheiros, o retorno do serviço de interpretes de libras na Casa. Há cinco meses, deficientes auditivos estão sem a acessibilidade. O presidente prometeu retomar e ampliar o serviço.

De acordo com a interprete  Nadja Magalhães, o serviço era oferecido desde 2006, mas foi cancelado no ano passado.  Para ela, a decisão de terminar o contrato representa um retrocesso. “O Senado foi pioneiro ao implementar o serviço, logo em seguida a Câmara dos Deputados começou. Hoje, a Câmara tem um serviço muito mais completo e amplo, enquanto o Senado cancelou. Foi a pior coisa que poderia acontecer”, lamentou.

Os interpretes acompanhavam os surdos em visitas guiadas e gabinetes. Também trabalhavam em cinco comissões, no plenário da Casa e na TV Senado.

Fonte: Site Deputado Romário

DOM GERALDO MAGELA VIAJA PARA PARTICIPAR DO CONCLAVE

Dom Geraldo Mangela


O cardeal arcebispo émérito de Salvador, Dom Geraldo Majella Agnelo, vai participar pela segunda vez do conclave que irá escolher um novo Papa. Para ele, o novo pontífice será conservador e não deve promover grandes mudanças na Igreja Católica.

"Todo Papa tem que ter a parte conservadora. Nenhum Papa vai trazer grandes mudanças. O que vai modificar é algum aspecto da disciplina, mas isso é normal. O dogma não vai ser mudado", disse, entrevista ao G1.

Dom Geraldo viaja hoje (24) para participar da escolha do novo Papa, ainda sem data para marcada. Bento XVI anunciou a renúncia no dia 11 de fevereiro.

Nenhum Papa vai trazer grandes mudanças. O que vai modificar é algum aspecto da disciplina, mas isso é normal. O dogma não vai ser mudado."

 Dom Geraldo Majella Agnelo
"Aquilo que Cristo deixou não pode ser mudado", diz ele. "Por exemplo, que o aborto vai ser encarado de modo diferente. Isso não pode acontecer", afirma.

Dom Geraldo participou do conclave de 2005, que escolheu Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI. Para ele, esses anos que separam uma decisão da outra não trouxeram modificações na forma de realizar o processo. "Espero que tudo ocorra bem. Não terá novidades. O Conclave executa exatamente o que está escrito nas normas para eleição de um Papa", diz.

Para Dom Geraldo, Bento XVI deixa um legado positivo para a Igreja Católica. "Tenho a maior veneração pelo Papa pelo seu pontificado curto, mas que deixa para a Igreja no mundo inteiro um testemunho de muita fidelidade ao cumprimento da sua missão", afirma.

Os desafios do novo Papa, crê o cardeal arcebispo, deverão ser os mesmos enfrentados por Bento XVI. "Ele [o novo], naturalmente, vai assumir um pontificado sempre com novas desafios, sobretudo nos dias de hoje que as mudanças são rápidas. Mas não terá grandes novidades".

O Conclave
Ao todo, 116 cardeais devem participar da escolha do novo Papa, sendo que cinco deles são brasileiros. Além de Dom Geraldo Majella, os demais brasileiros concorrentes e votantes são o arcebispo de Aparecida (SP), cardeal Dom Raymundo Damasceno de Assis, de 76 anos; o arcebispo emérito de São Paulo, Dom Claudio Hummes, de 78 anos; Dom João Braz de Aviz, de 65; e o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, de 63.

Fonte: Brasília em Tempo Real

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